Por redação
O débito é um meio de pagamento mais de três vezes mais caro para os estabelecimentos comerciais do que o Pix, mostra o Banco Central (BC). De acordo com o regulador, o custo médio de aceitação do débito para os lojistas era de 1,13% no quarto trimestre de 2022, contra 0,33% do instrumento de pagamento instantâneo. No crédito, o custo era de 2,34%.
Os dados foram exibidos por Carlos Brandt, chefe da gerência de Gestão e Operação do Pix do BC, no evento Payment View, em São Paulo. "[O custo] é algo que realmente parece fazer diferença para o varejo”, afirmou.
Brandt destacou que ainda há muito espaço para o crescimento do Pix nas transações comerciais e que boa parte da agenda evolutiva do BC para o pagamento instantâneo visa justamente impulsionar as operações entre pessoas e empresas (P2B).
Oficialmente, as transações para empresas representam hoje 29% do total de transferências realizadas via Pix, incluindo os informais. No entanto, essa participação ultrapassa 50%, acrescentou o representante do BC.
No Relatório de Economia Bancária, divulgado neste mês, o regulador apresentou exercício no qual reclassifica as transações de Pix para identificar, por exemplo, informais que usam contas de pessoa física para receber os pagamentos de clientes. O trabalho mostrou que o grupo formado por empresas e negócios informais representou 57% das transações recebidas e liquidadas em 2022.
Agenda de novos produtos
Brandt afirmou que o BC construiu o Pix para atender às necessidades de diferentes perfis de negócios, mas que o meio de pagamento ainda não chegou lá. Por isso, as funcionalidades da agenda futura focam nos fluxos P2B.
O Pix Automático, de pagamentos recorrentes, é o produto prioritário no momento. Sem dar uma previsão de lançamento, ele disse que o BC deve focar suas energias na função neste ano e em boa parte do próximo.
A ideia é lançar um produto único, mas com diversas formas de oferta e contratação. A função de recorrência será parecida com um débito automático e poderá ser utilizada para pagamentos de contas como de água e energia, serviços de assinatura e outras despesas periódicas, como mensalidade escolar e de academia.
O BC quer também criar regras e funcionalidades específicas para melhorar a experiência com o Pix em marketplaces. Brandt explica que esses estabelecimentos funcionam como intermediários da transação e, por isso, têm dinâmicas específicas.
“O marketplace entra como agente de confiança, garantindo que o cliente vai receber o produto e só depois é que o vendedor vai receber o dinheiro. Essa dinâmica exige uma retenção, ou seja, que o pagamento seja dividido em duas etapas”, explica. Há também soluções voltadas à divisão dos valores pagos quando a compra envolve diferentes vendedores.
O regulador trabalha também para a implementação do Pix Internacional, mas não há como se comprometer “com nenhum horizonte temporal”, disse Brandt. De acordo com ele, há duas abordagens possíveis: de conexão bilateral entre países que usam pagamento instantâneo ou de uma conexão multilateral.
Outras funções no radar estão ligadas a parcelamentos, novas formas de iniciação de transação (como via NFC ou bluetooth) e contratos inteligentes. “O Pix pode unir forças com o open finance e o real digital”, acrescentou.
No futuro, o BC também quer se debruçar mais sobre evoluções na agenda que possam impulsionar o uso do Pix nas transações entre empresas de diferentes portes.