Por Rúbia Pedra
Contudo, ao iniciar no estudo do Direito, percebeu que a sua vocação não estava na esfera criminal. “Para trabalhar na segurança pública é preciso vocação, é uma área muito voltada para o Direito Penal e essa não era a minha grande paixão. Eu me apaixonei pelos Direitos Difusos e sempre gostei do Direito Público. Decidi, então, que queria a carreira no Ministério Público”, conta.
Quando se formou, Fabíola atuou como advogada ao mesmo tempo em que estudava e se preparava para o concurso no MP, que era o seu foco. “Fui aprovada em 2004 no Mato Grosso. Tomei posse e fui morar em Terra Nova do Norte, o fim do fim do MT. Lá eu que instalei a comarca, comprei os móveis, levei o computador daqui, fui a primeira promotora daquela comarca. Eu tinha 26 anos na época”.
Por ser nova e estar em outro estado, Fabíola enfrentou alguns desafios, mas pontua que escolheu assumir o concurso pela experiência e pelo crescimento na carreira. “Eu já era casada, mas fui sozinha pra lá. Meu marido falava para eu ir e continuar estudando para voltar. Foi uma experiência maravilhosa, muito desafiadora. Eu era jovem, construí bons relacionamentos, fiz alguns atos que para aquela sociedade foram importantes. É uma função relevante e precisa ter maturidade para bem conduzir”
Contudo, apesar de gostar da atuação, algo a fazia querer retornar. Foi quando pediu sua exoneração e decidiu continuar com os estudos para um próximo concurso na Capital Morena. “Tomei a difícil decisão de me exonerar do cargo e voltar. Voltei pelo amor, amor ao meu marido, à minha família e à minha terra. Na época, estava aberto o concurso da Procuradoria-Geral do Estado, me inscrevi, fiz e reprovei na última prova da segunda fase”.
Mas Fabíola não desistiu do seu objetivo. Ao continuar estudando, o procurador-geral da época ficou sabendo de sua história e a ofereceu um estágio na Procuradoria, para que pudesse aprender na prática. “Sou imensamente grata, foi uma experiência que eu precisava ter. Vivenciar o que eu estudava fez grande diferença no outro concurso que realizei. Passei em 2005 e já fiquei direto na capital”.
A procuradora, que foi nomeada para o comando da PGE em 2019, sendo a primeira mulher a assumir o cargo, conta que se dividir entre o trabalho e a família não é fácil, mas que tem suporte e incentivo para crescer na profissão. “É preciso apoio para nos lançarmos nesses desafios e eu sou muito grata ao meu suporte: meu marido e minha mãe. Eles me permitem realizar esse sonho profissional porque sabem que para mim é importante, que isso me completa. Meus meninos também têm uma admiração muito grande pela mulher que sou e pela minha carreira”, pontua.
Para ela, a participação feminina vem crescendo nas instituições do Direito, porém, as mulheres ainda precisam de encorajamento, incentivo e suporte para atingirem voos mais altos. “A mulher precisa ocupar esses espaços. É preciso mudar a concepção de cargos e carreiras, existem ambientes que a gente não direciona as filhas e precisamos quebrar esses paradigmas. As jovens têm que ter bons exemplos na política para que sirvam de inspiração. Afinal, só teremos leis e políticas públicas adequadas às mulheres se tivermos representação. Nesse contexto, as medidas afirmativas são um empurrãozinho. Quando as mulheres entram, tomam gosto e ficam por mérito. Por isso, precisamos incentivar”, pontua.
ara o futuro, Fabíola, agora afastada da PGE, procura novos desafios e o crescimento pessoal e profissional. “A advocacia pública é uma grande paixão. Pretendo continuar trabalhando pelo meu estado, sem descartar nunca outras possibilidades, porque sou uma mulher de desafios, e quando os desafios se colocam pra mim, eu gosto. Com certeza os desafios que surgirem na minha vida vão contar com o meu entusiasmo e a minha dedicação”, finaliza.