Segunda chance: A moda second hand, onde acessórios de luxo custam pouco
Moda conhecida como second hand ganha espaço na vida e no guarda-roupa das mulheres, inclusive das que optam pelo luxo
A moda é feita de tendências. Há pouco tempo, o mercado de fast fashion dominava o guarda-roupa da maioria das mulheres, movimentando bilhões de dólares ao redor do planeta. Mas, assim como as tendências vêm e vão, a consumidora do presente está mais preocupada com o futuro, com a sustentabilidade e em como ter uma vida mais leve e minimalista.
A indústria têxtil é uma das mais poluentes do planeta, sendo responsável por 10% das emissões de carbono na atmosfera, além de gerar grande quantidade de resíduos na produção e no descarte de peças. Pensando em soluções para diminuir esse impacto, a tendência de second hand ganha força no mercado e espaço no coração das consumidoras.
O termo, que significa “segunda mão”, abrange peças que já foram utilizadas previamente ou tiveram outro dono. Essa prática, antes cercada de preconceito, movimenta hoje, em um valor estimado, cerca de US$ 24 bilhões (mais de R$ 120 bi). A revenda de peças usadas cresceu 21 vezes mais que a venda de roupas novas, segundo pesquisa da GlobalData, que estima que o faturamento, em 2023, será de US$ 51 bilhões e, em 2028, US$ 68 bilhões.
O conceito ganhou força e atingiu o mercado de luxo. Segundo o estudo da Boston Consulting Group, em 2019, a compra e venda de produtos exclusivos em segunda mão já representava 7% desse mercado, número que cresce a cada ano, principalmente devido à conscientização ambiental da população consumidora.
Observando essa nova tendência com grande potencial de crescimento, a empresária Barbara Queiroz decidiu investir no segmento. Formada em design de moda, com especialização em consultoria, coaching de imagem e personal stylist, ela trabalhou por 14 anos no varejo, mas foi durante a sua formação como consultora, em Londres, que conheceu a tendência de second hand em brechós e desapegos da cidade. “Lá em Londres, eles falavam muito da importância do consumo consciente, que para eles é algo muito normal e valorizado”, comenta.
Quando Barbara voltou para o Brasil, começou a trabalhar o conceito de desapego com as clientes das consultorias de imagem. “Vi que minhas clientes eram muito consumistas, tinham muitas coisas de luxo que não usavam. A intenção era que elas doassem, passassem pra frente de alguma forma, mas quando eu falava nisso, elas ficavam com muita dó”. A principal queixa era do valor pago na compra da peça, pois se doassem, o investimento seria perdido.
Com isso, as clientes pediram a ajuda de Barbara para vender as peças usadas. “Elas foram entendendo a importância de passar a peça adiante, dar espaço a peças novas, fazer circular. Peça parada é energia parada, dinheiro parado. Além disso, o item pode fazer outra pessoa feliz”. Nessa dinâmica de conscientização, Barbara começou a vender os desapegos, que incluíam roupas e bolsas. Após cerca de 2 anos ajudando as clientes, percebeu que poderia ampliar a atividade e iniciar um negócio. Assim surgiu o Desapego Fancy Style. “Foi realmente um presente de Deus, em nenhum momento eu pensei em montar algo de desapego, a minha intenção era ajudar minhas clientes. Quando me veio a ideia de criar o Instagram, eu já tinha várias peças legais. Sou feliz por passar a mensagem do consumo consciente e do olhar sustentável”, ressalta a empresária.
Hoje, a Fancy Style tem 4 anos e meio de existência nas redes sociais e, há 7 meses, conta com loja física, com desapegos de bolsas, relógios, sapatos, óculos e carteiras de luxo. A curadoria das peças é realizada pessoalmente por Barbara e todas as aquisições são de clientes ou de indicações. Os preços dependem de fatores como valor atual do item no mercado, o estado de conservação, presença de marcas de uso e comprovação da originalidade da peça, por certificado ou nota fiscal. A loja possui peças com preços próximos aos das marcas nacionais, mas que não contam com a mesma exclusividade dos itens de luxo.
Para comprar, o primeiro contato é realizado via Instagram, onde Barbara posta os itens disponíveis. Após os detalhes iniciais sobre o artigo desejado, a conversa continua por Whatsapp. “Trabalho com atendimento por hora marcada, de maneira personalizada, para que a cliente sinta a sua exclusividade e fique à vontade”. O espaço físico é inspirado em lojas de luxo e desapegos do exterior, lugares que Barbara frequentava quando fez o curso de consultora.
Para a empresária, desapegar é um ciclo de vantagens: ganha o meio ambiente, quem vende as peças paradas e quem compra os itens de luxo. “Tenho muitas clientes que não eram consumidoras do mercado de luxo e hoje em dia são. Os desapegos possibilitaram o acesso a itens exclusivos com condições de pagamento facilitadas. E eu faço de tudo para que as minhas clientes tenham a peça que desejam”, finaliza.
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