Quando tomamos a decisão de adotar um pet, assumimos também a responsabilidade de cuidá-lo da melhor forma. Os animais não se comunicam conosco de forma explícita, então é importante ficarmos atentos a todos os sinais e comportamentos anormais, já que alguns deles podem indicar problemas de saúde.
Existem doenças silenciosas, tanto em cães como em gatos, que necessitam de uma atenção especial. O médico veterinário Cláudio Roberto Belon Junior, nos ajudou a entender duas dessas doenças, suas causas e formas de prevenção.
Problemas no fígado – os sinais demoram a se apresentar, mas quando aparecem, o quadro já é irreversível. Alguns dos sintomas visíveis são icterícia (amarelão), letargia, fraqueza, tremores musculares e caquexia (perda de tecido adiposo e músculo ósseo). Além disso, o animal pode ter episódios de náuseas e vômitos. O fígado é responsável pela digestão, conversão de nutrientes, armazenamento de vitaminas e remoção de substâncias tóxicas do sangue. Dessa forma, as doenças hepáticas estão relacionadas à sobrecarga do órgão. Elas podem ser causadas pelo excesso de medicamentos, pela alimenta- ção inadequada, por hemoparasitoses (como a leishmaniose e a doença do carrapato, por exemplo) ou por neoplasias hematológicas (tumores). O tratamento é feito a partir do uso de medicamentos que amenizam os sintomas.
Doenças renais – também estão relacionadas à sobrecarga dos órgãos. Os rins filtram as substâncias tóxicas do sangue e regulam o seu fluxo, ajudando a controlar a pressão arterial. Quando eles não estão saudáveis, outros órgãos também são afetados. A doença pode ser causada por fatores genéticos (que podem ser identificados a partir do exame RCP - Relação Proteína Creatinina), mas também pode se desenvolver pela má alimentação, uso excessivo de medicamentos ou, ainda, devido a outras doenças que obrigam os rins a trabalhar mais. Vômito, diarreia, caquexia, anorexia, gastrite e amarelão são alguns dos sintomas a serem observados. Eles se assemelham aos sintomas das doenças hepáticas, por isso é importante visitar um veterinário para fazer os exames e o diagnóstico. O tratamento pode ser medicamentoso ou a partir de hemodiálise. Também existem rações especiais que podem ser utiliza- das para auxiliar na recuperação.
Para o Dr. Cláudio, a melhor forma de prevenir essas doenças é a visita periódica ao veterinário, com aplicação de vacinas, vermífugo e o controle de pulgas e carrapatos. Em casa, é importante garantir uma alimentação balanceada, com o consumo de ração adequada, evitando alimentos que nós, humanos, somos acostumados a consumir, como pão, frutas ácidas e leite e seus derivados. “Para nós, determinados alimentos aguçam o paladar, mas, para nossos bichinhos de estimação, são verdadeiras bombas que diminuirão, com certeza, o tempo de vida deles”, enfatiza o médico.
Com que frequência visitar o veterinário
Até os 6 meses: Consultas mensais (período das vacinas obrigatórias e melhor momento para identificar doenças crônicas e iniciar os cuidados necessários).
Após os 7 meses: Consultas anuais.
Após os 10 anos: Consultas semestrais.
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