Presidente do PT diz que posição de Zeca sobre ocupação é isolada e equivocada
Continua rendendo a polêmica entre o deputado Zeca do PT e indígenas após críticas à ocupação de terra em Rio Brilhante
Por Wendell Reis | InvestigaMS
Continua rendendo a polêmica entre o deputado Zeca do PT e indígenas após críticas à ocupação de terra em Rio Brilhante. Nesta segunda-feira foi a vez do presidente do PT em Mato Grosso do Sul, Vladimir Ferreira, se posicionar contrário à fala de Zeca. “Enquanto a elite agrária tem outros instrumentos de pressionar os governos e ter acesso aos orçamentos, infelizmente ao povo trabalhador, resta outras formas de luta, como por exemplo a ocupação de terras para pressionar o poder público a enfrentar o problema da concentração de terras no Brasil”, declarou o presidente do PT. Vladimir afirma que na vida e na política é preciso ter coerência e pontua que o fato da área Tekora Laranjeira Nanhanderu, estar na posse de um companheiro do PT, não pode mudar a posição em defesa dos direitos dos indígenas de recuperar seu território tradicional. “Por fim, quero lembrar um trecho de uma poesia do poeta alemão Bertold Bechit, que diz, ‘ todo mudo observa a correnteza do rio, mas poucos observam as margens que o oprimem’. Passamos por anos de opressão dos governos Temer e Bolsonaro, aprofundando a exclusão e aumentando demandas diversas no Brasil, sendo a questão da terra, uma das principais. Cabe ao nosso governo por fim a opressão dos trabalhadores e trabalhadoras, e não condenar suas formas de luta e resistência. Reafirmo que o posicionamento do deputado Zeca é um posicionamento isolado e equivocado, e de forma alguma representa o que o PT historicamente defende e que o governo do Presidente também”, conclui. O caso Tudo começou com uma crítica do deputado Zeca do PT à ocupação (os povos originários classificam como reivindicação legítima) em propriedade de Rio Brilhante, de propriedade do presidente do PT em Rio Brilhante, José Raul. “É uma barbaridade o que estão fazendo com o companheiro, amigo, Raul, em sua propriedade em Rio Brilhante. De um lado, porque não se tem nenhum estudo antropológico definido para dizer que é terra indígena e do outro, dois ônibus, com aproximadamente 80 indígenas, derramados lá e agora trancaram portão, ocuparam terras, de 400 hectares, proibindo Raul e sua família de tirar de lá aproximadamente sete mil sacas de soja que foi colhido e de plantar milho”, declarou o deputado. A fala gerou protesto de indígenas, incluindo o número dois do Ministério dos Povos Indígenas, Eloy Terena. “Lamentável o pronunciamento do deputado Zeca do PT na AL/MS ao questionar a reivindicação legítima dos Guarani Kaiowá ao seu território tradicional. Laranjeira Nhanderu é terra indígena possui estudo antropológico e é espaço essencial para sobrevivência física e cultural dos GK”, postou, na rede social. Procurado pela reportagem, Zeca criticou Eloy Terena, a quem classificou como irresponsável. “Esse tal de Eloy, que assinou essa nota, é um irresponsável, que se promoveu fazendo essa política radical. Eu tinha avisado alguns companheiros do Lula que ele iria atrapalhar. A tese que o presidente Lula e eu defendo é que temos que buscar o diálogo. Lula já falou que vai fazer reforma agrária, assentamentos, colocar os índios nas suas terras demarcadas, mediante compra e indenização”, declarou Zeca do PT, ressaltando que a terra invadida é produtiva. O deputado alegou que não é contra a demarcação de terras indígenas, desde que superados todos os problemas, inclusive de ordem judicial, com um laudo “ antropológico sério” e que indenize quem tem a posse de boa fé.
“A grande maioria dos proprietários rurais que têm terras supostamente indígenas adquiriram essas fazendas do Estado ou Governo Federal ou Estadual há 40, 50, 60 anos atrás. Portanto, o mínimo que se espera, se reconhecido como terras indígenas, é que sejam indenizados, inclusive com as benfeitorias que efetivamente realizou ali, ou senão a gente estará sendo injusto com outro segmento e não me permito fazer essa política. Sou favorável a reforma agrária, demarcação de terras indígenas, desde que superada toda tramitação. Ninguém mais do que eu ao longo do tempo da minha vida política se colocou claramente em defesa da reforma agrária e demarcação de terras indígenas, mas sem atropelar o estado de direito, sem criar insegurança jurídica e sem jogar um setor contra o outro, que traz consequência que depois vamos chorar ”, concluiu.
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