Mulheres machistas: uma sociedade influenciada por padrões masculinos

Com raízes mais profundas do que é imaginável, os comportamentos e ideias machistas também podem ser reproduzidos por muitas mulheres na sociedade

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Por Vinícius Reis

O machismo pode ser definido como “o comportamento que rejeita a igualdade de condições sociais e direitos entre homens e mulheres”. Com raízes mais profundas do que é imaginável, os comportamentos e ideias machistas também podem ser reproduzidos por muitas mulheres na sociedade. Como bem já se conhece e identifica, o machismo é composto por uma série de valores voltados ao homem, onde o mesmo apresenta comportamentos e atitudes que promovem a superioridade masculina e o domínio sobre a mulher. Esse sistema afeta relações familiares e também é possível encontrá-lo dentro de ambientes de trabalhos, na hierarquização do homem como sendo sempre o líder e o chefe de algo. No óbvio da dominação masculina, como já disse o sociólogo Pierre Bourdieu, todo homem deve ser superior: mais velho, mais alto, mais forte, mais rico, mais poderoso etc. E é desta forma que diversas mulheres na sociedade permanecem em estado de insegurança e dependência. O esperado para uma mulher, como disse o sociólogo, é que sejam submissas, contidas, discretas, apagadas, inferiores e invisíveis. Frases como "apanhou porque mereceu" reproduzidas por mulheres revelam como esses comportamentos ainda existem, assim como as acusações de que uma mulher teria sofrido violência ou assédio pelo tipo de roupa que usa ou pelo jeito que se porta. Segundo uma pesquisa realizada pela ONU Mulheres e o portal PapodeHomem, em 2016, 95% das mulheres e 81% dos homens entrevistados concordaram que existe machismo no Brasil, sendo ele perpetuado tanto por homens quanto por mulheres.
A sociedade em si é uma das maiores vilãs para que o machismo continue se estruturando e perpetuando dentro de muitas casas. Todo padrão já vem do masculino e o comportamento dessas ações levam as mulheres a reproduzir e aprovar tais acontecimentos, como, por exemplo: desde o início das relações construídas, uma mulheres deve ser rival da outra para conquistar determinado homem, como se esse homem fosse digno da disputa de mulheres.

Os padrões masculinos estão inseridos também como uma contrapartida para que as mulheres comecem a refletir e tomar suas próprias decisões para assumir postos que estão totalmente ao seu alcance e, na maioria das vezes, são mais capazes e qualificadas que um homem. Deixar de pensar que o sexo masculino merece algo a mais parte de uma “auto desconstrução”, com base em experiências e formação intelectual e crítica. Para a jornalista e pesquisadora sobre comportamentos femininos, Katarini Miguel, "Ser mulher é um estado político". Ela comenta que mulheres podem sim reproduzir comportamentos machistas, e isso vem "naturalmente" da sociedade onde estamos inseridos. "Mas, em contrapartida, hoje existe a ideia da sororidade, onde mulheres demonstram afetos entre si, onde mulheres ajudam mulheres, e o feminismo parte desse movimento, que as mulheres devem ajudar outras mulheres". Para muitas, isso é comum e vivido dia a dia. Desde muito cedo, mulheres já se opõem e discursam sobre o feminismo, movimento que teve início no século XIX, em meados de 1848. Nessa época, houve uma grande onda de atividade feminista de mulheres que queriam ser reconhecidas e ter seus direitos próprios. "O feminismo é um movimento de libertação e entendimento das mulheres, os espaços que ocupam no mundo, existem diversas correntes, várias possibilidades, buscando a igualdade de gênero. O movimento vem para mostrar que a mulher é dona de si própria e da sua história e que ela não precisa de outro gênero para ser quem é", comenta Katarini.
O feminismo ajuda as mulheres a se enxergar na sociedade, a sair sozinha, a ser reconhecida com seus direitos civis. Durante muito tempo a mulher foi calada, oprimida, e hoje, com novas perspectivas, é possível ver que o movimento abriu portas, principalmente para o diálogo de que o machismo existe e quais ações são possíveis para que ele não afete as novas gerações.