Associação Comercial e Industrial de Campo Grande comemora 97 anos de fundação e conta expectativas para 2023

Em entrevista exclusiva ao MSConecta, o presidente da ACICG Renato Paniago analisa o cenário atual, os desejos e os medos dos empresários da capital

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Por Rúbia Pedra

Em 1926, empresários da capital preocupados com a alta carga tributária da época se uniram e fundaram a Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG). Nesta terça-feira (14), a Casa do Empresário completa 97 anos de existência, com nove mil empresas associadas na capital. Desde o início, a Associação defende a classe do comércio e da indústria perante governos e demais entidades, com o objetivo de promover a união da classe empresarial e fortalecer sua atuação e influência nas demais áreas. Em entrevista exclusiva ao MSConecta, o presidente da ACICG Renato Paniago, contou que para 2023, o empresário possui uma expectativa diferente dos últimos anos. “O empresário, ele sempre pensa positivo. Ele se planeja para alcançar o melhor desempenho do seu negócio. De acordo com o comportamento do mercado e também com pesquisas que fazemos consultando o associado, a expectativa é menor do que foi em outros anos, muito por conta da mudança do Governo Federal. Então, existe a expectativa, ela é boa, mas inferior a outros anos”, pontua.
Segundo Renato, a baixa expectativa pode ser explicada pela incerteza do que o novo governo irá priorizar, já que o empresário não percebe o crescimento do setor como algo urgente ou necessário no atual mandato federal. “O empresariado vê com muita cautela, muita preocupação, que conquistas já adquiridas sejam desconstituídas, principalmente nas questões trabalhistas. Questões econômicas e de impostos, que no último governo, de uma certa forma, colaboraram para o desenvolvimento de postos de trabalho, aumento de empregabilidade, percebemos agora no começo do ano, olhando o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que o movimento teve uma queda muito brusca”.

Ainda assim, o presidente da ACICG explica que existe também uma visão positiva na economia. “É positivo porque o Brasil vem crescendo, a população vem crescendo de uma certa forma e as pessoas vêm conseguindo cumprir seus compromissos [financeiros]. Tivemos um movimento muito grande de gente renegociando dívidas. O dinheiro que estava parado volta para o comércio local”. Nesse contexto de renegociações, Renato cita a Campanha Nome Limpo realizada pela Associação que recuperou mais de R$ 5 milhões em dívidas no ano passado. Já para os cenários estadual e municipal, o presidente pontua que o diálogo é o melhor caminho para fortalecer a parceria com os governos na busca por soluções que ajudem o empresário. “A expectativa é boa, tanto com a gestão da prefeitura quanto a gestão do governo. Esse diálogo é importante para eles também. Como é que os órgãos públicos vão tomar as decisões se não sabem a realidade de quem está na ponta? Quem defende o empresário em Campo Grande hoje é a Associação, então essa comunicação é importante para ambos os lados”, explica. Institucionalmente, a ACICG atua perante outras entidades e em parceria com outras instituições para defender a classe empresarial, focada no desenvolvimento das empresas. Entre os benefícios de ser associado, Renato cita: planos de saúde, ferramentas de conciliação de conflitos, vale alimentação, plano odontológico, produtos e ferramentas que ajudam o dia a dia da empresa, entre outros serviços de apoio. Nos programas, existe a Escola de Negócios, o Conselho da Mulher, Conselho de Jovens Empresários, núcleos de segmentos e ações de marketing e apoio jurídico para os associados. “Como podemos apoiar o desenvolvimento das empresas cada vez mais? Fornecendo ferramentas e defendendo os empresários na plenitude, assim sendo o mais assertivo possível, porque aí a empresa vai errar menos”. Na parte operacional, a Associação ajuda nas parcerias com bancos e soluções financeiras, ferramentas para auxiliar nos compromissos tributários e também atua em um dos maiores problemas nas empresas: colaboradores capacitados. “O colaborador que está vindo para o mercado de trabalho tem outros anseios, outras expectativas e outras capacidades e preparos também. Às vezes muito despreparados tecnicamente, às vezes muito despreparados intelectualmente, mas preparados tecnicamente, falta a parte emocional. O ser humano vem mudando, então o consumidor vem mudando, o colaborador também. Essa é uma preocupação”. O presidente reforça sobre a atuação da ACICG: “A Associação defende a classe empresarial em vários setores. Defende a classe empresarial perante os órgãos públicos e outras entidades. Levamos a voz dos empresários e a realidade das empresas de Campo Grande para o Governo do Estado e o Governo Municipal, para que eles entendam a realidade da situação empresarial e possam tomar as melhores medidas. Então, a gente briga, protege e defende a legalidade da atividade empresarial, briga por todos os que querem trabalhar de forma correta”.
Para 2023, a Associação tem um calendário cheio de encontros e ações com os associados e a comunidade geral. Os próximos são os eventos: Mulheres em Construção e a Costelada da Colônia de Férias. Já em abril, o Mutirão da Conciliação. No decorrer do ano estão previstas palestras, rodadas de negócio, outros almoços e também a ACICG nos bairros. Acompanhe a atuação e as ações da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande no Instagram: @acicgms.