Governo “dá tiro no pé” e prejudica turismo brasileiro
Brasil voltará a exigir visto para os para cidadãos dos EUA, Canadá, Japão e Austrália
Por redação
Turistas dos Estados Unidos, Canadá, Japão e Austrália voltam a precisar apresentar um visto para entrar no Brasil. No mandato de Jair Bolsonaro, o governo retirou a exigência do visto. As embaixadas agora devem avisar aos países a nova decisão. A decisão do governo Lula se dá com base no princípio da reciprocidade, modelo historicamente adotado pelo Itamaraty, que havia sido suspenso em 2019. O Governo Federal justificou a decisão afirmando que não houve aumento considerável no fluxo de turistas desde que a exigência do visto havia sido suspensa. Em 2019, por exemplo, o número de turistas norte-americanos foi 439 mil. Em 2022, vieram 355 mil — valor menor que o período pré-pandêmico. A quantidade de visitantes japoneses também caiu, mas com decréscimo maior: De 59 mil para 16,8 mil, no mesmo período. Segundo a Folha de São Paulo, o Itamaraty já está comunicando as embaixadas desses países de maneira formal sobre a volta da exigência dos vistos. AMERICANOS PRECISAM DE VISTO PARA ENTRAR NO BRASIL Ainda não há, porém, data prevista para que a medida passe a vigorar, na prática, nas fronteiras brasileiras. Sendo assim, nesta quinta-feira (09), ainda não há a exigência de vistos para americanos entrarem no Brasil, assim como australianos, canadenses e japoneses. BOLSONARO HAVIA DISPENSADO VISTO Bolsonaro aplicou a medida para cidadãos estrangeiros desses países que viajam para o Brasil com fins de turismo, negócios, trânsito e atividades artísticas e esportivas. Também se estendeu para pessoas "em situações excepcionais por interesse nacional".
Diretor da IT Mice, Ibrahim Georges Tahtouh, demonstrou sua total insatisfação com a medida. "O trabalho de captação Meeting, Incentive, Congress and Exhibitions (MICE), fica muito prejudicado com mais esse retrocesso. Campanhas de incentivo nascem no mínimo um ano antes e dificilmente se escolherá o Brasil como destino. Não se sabe quem serão os vencedores e com que tempo a má vontade dos corpos consulares emitirão os vistos. É muito risco e os decisores escolherão outro destino onde tenham entrada livre. O mesmo para expositores de feiras que venham de fora, assim como Hosted Buyers, com o risco de terem recusado o visto".
"Palestrantes que rodam o mundo todo, não aceitarão ter seus passaportes retidos nos consulados brasileiros subjugados à má vontade dos burocratas, como tivemos professores de Harvard com documentos retidos até que se deu 'um jeitinho' atendendo aos caprichos de quem cria dificuldades para 'vender' facilidades. Voltou o velho esquemão, que pena" completam. João Araújo, por mais de dez anos diretor da Lan Chile no Brasil também se mostrou desfavorável a medida. “É mais um retrocesso para o Brasil, importante salientar o período da mensuração desde a liberação dos vistos se deu durante a pandemia com sérias restrições de viagens pelo mundo e para o Brasil. Estes países só aportam oportunidades de negócios, tanto em eventos como em outros segmentos. Que lástima". Ibrahim Tahtouh, acrescenta ainda que "a volta da exigência de Vistos de Entrada no Brasil, prejudicará um segmento que vimos estruturando e investindo que é o Turismo Médico e Wellness. A BHT-Brasil Health Tourism Concierge, cuida de todos os detalhes para amenizar,agilizar e viabilizar a vinda de pacientes e de seus acompanhantes,que muitas vezes chegam a quatro, porque se alternam e podem vir de outros países. Para quem tem cuidados de Saúde, que trabalha para convencer a fazer o tratamento no Brasil, criou-se um forte impedimento que é fazer a família correr atrás do Visto de Entrada. A disputa mundial pelo Turismo Médico é muito forte, um paciente e acompanhantes deixam em média o faturamento equivalente a 20/25 turistas de lazer. Como no Incentivo deixam o valor que se conseguiria com 12/15 Turistas de sol e mar. Mais uma exportação de serviços que deixaremos de realizar, tendo hospitais de referência internacional como o Einstein, Sírio Libanês, Copa D’Or etc. e as melhores Clínicas de Estética, Neurologia, Odontologia, Oncologia e outras especialidades com profissionais reconhecidos em todo o mundo. Uma profunda dor a mais para nos sentirmos com a sensação de impotência diante de desmandos governamentais".
Em fevereiro desse ano, o presidente da EMBRATUR, Marcelo Freixo se reuniu com o trade paulista e deixou claro sua desaprovação em relação a exigência do visto. "Quero me posicionar e dizer que sou contrário, exigir visto só irá dificultar o turismo no Brasil. Essa medida não trás nenhum benefício e o que eu puder fazer para isso não acontecer, eu farei". Contudo, a decisão tomada pelo presidente Lula, aparentemente não levou em consideração a opinião do presidente Embratur (nomeado por ele) e o imenso declínio que causará a todo setor, e certamente a economia e ao mercado de trabalho em todo país alimentada majoritariamente pelo turismo.