Primeiro crematório pet de Campo Grande inicia operações

Pet Pax atende tutores que desejam um final diferente para seus animais

Por

Por Rúbia Pedra

Para muitos, perder um animal de estimação é tão doloroso quanto a morte de um familiar. O pet é considerado como filho e a relação de carinho e cuidado é semelhante aos cuidados humanos. Pensando nisso, a Pet Pax, primeiro crematório de animais de Campo Grande, busca apoiar e confortar os tutores no momento da perda. A ideia de cremar o pet pode causar estranheza e até parecer absurda para alguns, mas a sócia-proprietária Ana Carolina Pimentel explica que, apesar da resistência, a cremação é o melhor procedimento a ser feito. "No começo do projeto eu também estranhava a ideia. Hoje, todos os animais são incinerados como lixo hospitalar. Então, quando você entende que a cremação dá um fim digno para o animal, conforta, sabe? É uma boa causa, melhor que abandonar ou jogar no lixo". Ana conta que o projeto, no total, existe há cerca de dez anos. "Era um projeto antigo de outra dona, mas quando começaram a sair as licenças, ela teve que ir embora do país e vendeu o projeto pra gente. Estamos à frente há cinco anos, foram uns dois de construção e muitas licenças. A fiscalização em cima do meio ambiente é forte, estamos certinhos com as regras e requisitos que o espaço precisa ter". Além de Ana Carolina, a sociedade conta com mais duas sócias, Renata Gonçalves Pimentel e Camila Prates. Ana Carolina explica que existem três tipos de cremação: individual, compartilhada e coletiva. Na individual, o pet é cremado sozinho e o tutor recebe as cinzas. Na compartilhada, dois pets de até 20kg podem ser cremados juntos, mesmo sem se conhecer, e cada um recebe as cinzas separadamente. Já na coletiva, são vários pets juntos e o tutor não fica com as cinzas, que são espalhadas no jardim do espaço. Todas elas incluem o certificado de cremação e o atendimento é 24 horas para retiradas.

Além disso, existe a possibilidade de fazer um plano preventivo para o animal. "Funciona como uma Pax mesmo. Vamos supor, você tem um cachorro que já está velhinho, então faz o plano antes, paga parcelado e só usa quando ele falecer. Se ele só morrer daqui três anos, por exemplo, só paga um reajuste anual", explica Ana. A Pet Pax iniciou as operações no final de janeiro e, em apenas uma semana, atendeu cerca de 15 cremações, número que surpreendeu as sócias. "Achamos que a resistência ia ser bem maior, mas está sendo bem aceitos. As clínicas veterinárias estão apoiando, ficaram felizes por disponibilizarmos o serviço. Aqui na cidade tem muita chácara, terrenos, e o costume é de enterrar, mas isso pro meio ambiente não é legal, tem um potencial de contaminação e pode gerar até multa por dano ambiental", explica. Ana Carolina pontua que as cinzas são sustentáveis, compostas de cálcio e potássio, que podem, inclusive, ser usadas como adubo no plantio de árvores, resultando assim em um processo ecológico e sustentável. O espaço da Pax conta com 900 m², um local para guardar as cinzas, caso os tutores prefiram, e também contará com uma sala de despedidas, na hipótese de o dono desejar velar o pet. Outro diferencial que está sendo bem aceito é a biourna, que vira uma árvore quando plantada. "A urna biodegradável vem com sementes de Mirabilis junto às cinzas do pet, que resulta em um arbusto florido. Também dá para trocar as sementes e colocar outra planta da preferência do tutor". Além dessa, existem as urnas em formato de raças, caixinhas, porta-retratos e até chaveirinho.
Para a sócia, cada luto é individual e a equipe entende que cada tutor lida com a perda de uma forma diferente, mas garante que o pet é tratado com muito carinho e cremar é uma opção que conforta muitos deles. "Nós gostamos muito de animais, todas temos pets e eles precisam de um fim digno. Eu falo, é o melhor a se fazer quando se perde um animal, demonstrar admiração e respeito da melhor forma possível", finaliza.