Brasil pode ampliar exportações de carne bovina aos EUA e impulsionar mercado pecuário
Nova cota americana pode abrir espaço para até 120 mil toneladas de carne brasileira
O Brasil pode conquistar entre 30% e 40% das 300 mil toneladas adicionais de carne bovina abertas pelos Estados Unidos ao mercado internacional, o equivalente a um volume entre 90 mil e 120 mil toneladas. A projeção é do analista de mercado Fernando Henrique Iglesias, que aponta o país como um dos principais beneficiados pela medida.
Segundo Iglesias, as regras de elegibilidade adotadas pelos norte-americanos favorecem o Brasil, que possui capacidade produtiva e estrutura exportadora suficientes para atender à demanda. Outros concorrentes da América do Sul e América Central, como Paraguai e países centro-americanos, possuem menor volume disponível para exportação, o que amplia a competitividade da carne brasileira no mercado dos Estados Unidos.
A abertura ocorre em um momento de mudança no fluxo global de comércio da proteína bovina. Com a redução das compras chinesas, frigoríficos brasileiros buscam ampliar a presença em outros mercados estratégicos, e os Estados Unidos surgem como um dos principais destinos para absorver parte dessa produção.
Arroba pode atingir recordes
A expectativa do mercado é de valorização da arroba do boi gordo nos últimos meses do ano. De acordo com o analista, o cenário reúne fatores que tendem a pressionar os preços para cima, entre eles a oferta restrita de animais para abate, o fortalecimento do consumo doméstico, o aumento das exportações para os Estados Unidos e a possibilidade de retomada mais intensa das compras pela China.
Caso essas condições se confirmem, a arroba poderá alcançar patamares recordes no último bimestre de 2026, elevando a rentabilidade dos pecuaristas e fortalecendo a cadeia da carne bovina brasileira.
Mato Grosso do Sul pode ser beneficiado
Um dos principais estados produtores de bovinos do país, Mato Grosso do Sul tende a ser diretamente beneficiado pela ampliação da demanda internacional. O estado possui um dos maiores rebanhos brasileiros e abriga importantes frigoríficos habilitados para exportação, o que o coloca em posição estratégica para aproveitar novas oportunidades de mercado.
Além de impulsionar as exportações, o aumento da demanda externa pode estimular investimentos no setor pecuário sul-mato-grossense, fortalecendo a geração de empregos, a movimentação econômica no campo e a arrecadação em municípios com forte presença da atividade bovina.
Com os Estados Unidos ampliando suas compras e a perspectiva de retomada da demanda chinesa, o mercado acompanha com expectativa os próximos meses, que podem consolidar um dos cenários mais favoráveis para a pecuária de corte brasileira nos últimos anos.