Corumbá prepara soltura de mosquitos com Wolbachia para combater dengue e chikungunya

Método já utilizado em Campo Grande será implantado de forma gradual e monitorada para reduzir a transmissão de arboviroses

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O município de Corumbá iniciou os preparativos para implantar o método Wolbachia, uma estratégia inovadora de combate à dengue, zika e chikungunya que utiliza mosquitos Aedes aegypti portadores de uma bactéria capaz de reduzir a transmissão dos vírus causadores dessas doenças. 

Diferentemente do que muitos imaginam, os mosquitos não são modificados geneticamente. Eles carregam naturalmente a bactéria Wolbachia, que impede ou dificulta a multiplicação dos vírus dentro do organismo do mosquito. Com isso, mesmo quando o inseto pica uma pessoa infectada, sua capacidade de transmitir dengue, zika e chikungunya a outras pessoas é significativamente reduzida. 

A implantação do método ganhou prioridade diante do cenário epidemiológico do município. Corumbá registrou circulação simultânea dos vírus da dengue e da chikungunya em 2026 e confirmou o primeiro óbito por chikungunya do ano. Até o início de agosto, o município contabilizava 477 casos confirmados de chikungunya e 545 de dengue, situação considerada preocupante pelas autoridades de saúde.

Segundo o cronograma apresentado pela equipe técnica, a soltura dos mosquitos ocorrerá durante 26 semanas, aproximadamente seis meses. As liberações serão realizadas uma vez por semana, no período da manhã, em bairros previamente definidos pelas equipes de vigilância em saúde.

O projeto prevê ainda a instalação de um núcleo de eclosão em Corumbá, onde os ovos dos mosquitos com Wolbachia serão preparados antes da liberação nas áreas selecionadas. Após o início das solturas, o município realizará monitoramento contínuo para verificar se a bactéria está se estabelecendo na população local de mosquitos. Para isso, serão utilizadas armadilhas conhecidas como ovitrampas, responsáveis pela coleta de ovos para análise laboratorial. 

Os resultados obtidos em Campo Grande ajudaram a impulsionar a expansão da estratégia para outras cidades de Mato Grosso do Sul. De acordo com estudo citado por pesquisadores da Fiocruz e publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas, a utilização da Wolbachia contribuiu para uma redução de 63% nos casos de dengue na Capital. 

Especialistas reforçam, porém, que a tecnologia não substitui as ações tradicionais de combate ao mosquito. A eliminação de criadouros, limpeza de quintais, vedação de caixas d'água e descarte correto de recipientes que acumulam água continuam sendo essenciais para o controle das arboviroses. 

Além da preparação técnica, a prefeitura planeja uma ampla campanha de comunicação para orientar os moradores sobre o funcionamento da tecnologia. A expectativa é que a população seja informada previamente sobre as áreas contempladas e acompanhe as etapas do projeto, considerado uma das principais apostas do país para reduzir a incidência de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.