Voz de peso para o PT diz que Lula é 'favorito para perder' e reafirma a conta: 'não há bola de cristal'
Alberto Carlos Almeida, autor de 'A cabeça do brasileiro', voltou nesta sexta à tese da entrevista de março: avaliação ótimo/bom na casa dos 30% não reelege. Em MS, Lula teve 40,5% em 2022.
Alberto Carlos Almeida / arquivo pessoal (foto cedida)
O cientista político e sociólogo Alberto Carlos Almeida, autor de A cabeça do brasileiro e de A mão e a luva: o que elege um presidente, reafirmou nesta sexta-feira (11) a avaliação que deu em março ao jornal O Globo: o presidente Lula chega à eleição de outubro como "favorito para perder". A frase, publicada na newsletter Jogo Político, de Thiago Prado, voltou a circular nas redes esta semana, e Almeida respondeu no Threads que a conclusão "foi baseada em ciência: dados públicos, metodologia pública", e que "não há genialidade nem bola de cristal".
O peso da opinião vem de onde ela nasce. Almeida é descrito pelo próprio O Globo como uma voz ouvida dentro do PT, e o raciocínio dele não parte de preferência, e sim de um indicador que qualquer pessoa pode consultar: a avaliação do governo. Na entrevista, ele sustenta que a soma de "ótimo" e "bom" do governo Lula fechou o ano passado na casa dos 30%, e que presidentes reeleitos no Brasil chegaram à disputa com esse número bem mais alto. Mesmo com o petista à frente nas pesquisas de intenção de voto, como ele próprio reconhece, é a avaliação que costuma decidir o voto no fim da campanha.
A régua: avaliação primeiro, pesquisa depoisA tese central de Almeida é que a intenção de voto medida em setembro diz menos sobre outubro do que a nota que o eleitor dá ao governo. Segundo ele, na entrevista, um presidente com avaliação positiva entre 30% e 35% "se a eleição fosse hoje, não venceria"; para virar o jogo, Lula precisaria elevar a aprovação nos meses que faltam, e não apenas manter a liderança nominal nas sondagens. Ele também avalia que o caso Master, o escândalo envolvendo o banco de Daniel Vorcaro, que alcança magistrados, o PT da Bahia, o Centrão e parte da direita, tende a pesar mais sobre a esquerda do que sobre a oposição, porque desgasta quem está no poder.
Almeida chama o argumento de científico porque o método é o mesmo que ele usa há duas décadas: a Pesquisa Social Brasileira (PESB), que deu origem ao livro de 2007 e foi refeita em 2025 para a edição A cabeça do brasileiro, vinte anos depois, com cerca de 1.600 entrevistados. A entrevista de março pode ser lida na íntegra na reprodução do Blog do Gustavo Negreiros e no Jornal Opção.
Em Mato Grosso do Sul, a conta começa mais difícil para o PTSe a régua de Almeida vale para o país, em Mato Grosso do Sul ela parte de um piso mais baixo. No segundo turno de 2022, segundo o resultado oficial do TSE, Jair Bolsonaro teve 59,49% dos votos válidos no estado (880.606 votos) e Lula, 40,51% (599.547). Foi uma das maiores diferenças do país a favor do então presidente, puxada pelo interior e pelo agronegócio. Para o PT, MS não é um estado a ser mantido, e sim a ser conquistado.
A eleição está marcada pelo calendário do TSE para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro. Até lá, o número que Almeida manda acompanhar não é a intenção de voto, e sim a avaliação do governo, em cada pesquisa que sair.
Fontes: O GLOBO (Jogo Político); THREADS (@abcalmeida); TSE