Rio da Prata seca 4 km em Jardim e 200 peixes são resgatados de poças

Lambaris, piraputangas e traíras ficaram ilhados no trecho entre o curso d'água e a Ponte do Curê; MP estadual acompanha o caso desde 2024.

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Um trecho de 4 quilômetros do Rio da Prata, em Jardim (MS), perdeu completamente o fluxo de água por causa da estiagem prolongada, deixando peixes ilhados em pequenas poças ao longo do leito. Em setembro de 2026, equipes do Instituto Guarda Mirim Ambiental (IGMA) realizaram uma operação emergencial e retiraram mais de 200 animais dessas poças, transferindo-os para trechos do rio com condições adequadas de sobrevivência.

O cenário é ainda mais preocupante quando comparado ao histórico recente: em 2025, uma operação semelhante no mesmo trecho resgatou cerca de 1.400 peixes — sete vezes mais do que os retirados agora, o que indica que a fauna aquática local vem sendo sistematicamente comprometida a cada ciclo de seca. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) acompanha a situação por meio de um inquérito civil instaurado em julho de 2024, investigando as condições ambientais do rio.

Poças com risco de evaporação ameaçam espécies nativas

O trecho afetado vai do curso principal do rio até a região da Ponte do Curê, na Rodovia MS-178. Nos pontos onde a água ficou represada em poças isoladas, o risco é duplo: evaporação acelerada e queda nos níveis de oxigênio dissolvido, condição que pode matar rapidamente peixes de médio e grande porte.

Entre as espécies encontradas nas poças estavam lambaris, piraputangas, cascudos, joaninhas e traíras. O presidente do IGMA, Nisroque Soares, confirmou a extensão da interrupção hídrica e explicou que a equipe monitora o trecho há anos. "O trecho afetado apresenta uma interrupção de aproximadamente 4 quilômetros no fluxo da água até a Ponte do Curê", descreveu Soares. Moradores ribeirinhos também colaboram com o monitoramento, alertando as equipes sobre mudanças nas condições do rio.

Novas operações podem ser necessárias se a seca continuar

O IGMA mantém vigilância constante sobre os trechos secos e está pronto para realizar novos resgates caso a estiagem se prolongue e outros animais fiquem em risco. A situação do Rio da Prata reflete um padrão que se repete no Pantanal e no interior de MS durante os períodos de seca: rios que abastecem ecossistemas inteiros ficam fragmentados, isolando fauna e comprometendo a cadeia alimentar local.

O inquérito do MPMS segue aberto e continua acompanhando tanto as condições ambientais do Rio da Prata quanto a efetividade das ações de resgate adotadas pelo instituto.

Fontes: INSTITUTO GUARDA MIRIM AMBIENTAL (IGMA); MINISTÉRIO PÚBLICO DE MATO GROSSO DO SUL; G1