Costa Leste de MS tem vagas, mas falta mão de obra treinada para colher oportunidades

Famasul ouviu lideranças rurais em Paranaíba e apontou citricultura como nova atividade a exigir trabalhadores qualificados na região; Senar já prepara cursos específicos

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A Costa Leste de Mato Grosso do Sul vive uma transformação produtiva que gerou empregos — mas ainda não encontrou trabalhadores suficientemente preparados para ocupá-los. O diagnóstico foi dado pelo presidente da Famasul, Marcelo Bertoni, durante encontro com lideranças dos Sindicatos Rurais realizado em Paranaíba na quarta-feira, 9 de setembro de 2026. Na ocasião, Bertoni ouviu demandas do setor produtivo e apresentou mudanças no serviço de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG).

A região já movimenta pecuária, agricultura, florestas plantadas e novos empreendimentos industriais. Mais recentemente, a citricultura entrou nesse mapa com a implantação de novos pomares — e cada nova atividade exige um perfil de trabalhador que o mercado local ainda não formou em escala suficiente.

Empregos existem; a qualificação é o nó

"Vaga de emprego tem, serviço tem, e a gente precisa só qualificar essa mão de obra nova que está aprendendo esses novos cenários", afirmou Bertoni. Para enfrentar esse gargalo, o Senar já oferece cursos voltados à floresta plantada, bovinocultura de corte e leite e, agora, começa a estruturar formação específica para a citricultura — a mais recente aposta da Costa Leste como vetor de diversificação.

Na avaliação do presidente da Famasul, a expansão da laranja e outros citros pode abrir novas frentes de trabalho e reduzir a dependência da região em relação a poucas cadeias produtivas. O desafio, segundo ele, é que esse potencial só se converte em renda se houver mão de obra capacitada para cada etapa do cultivo e da colheita.

Tecnologia no campo e representação política em Brasília

Bertoni também apresentou o Agrotec, programa desenvolvido em parceria com Embrapa, Fundação MS e Fundação Chapadão, que traduz pesquisas em orientações práticas aplicáveis dentro das propriedades rurais. A lógica do programa parte de um levantamento técnico da fazenda e busca melhorar gestão e resultado financeiro. "O objetivo final é que ele feche o ano com lucro, não no prejuízo", resumiu o presidente.

Além da capacitação e da assistência técnica, a Famasul acompanha proposições no Senado, na Câmara e no Supremo Tribunal Federal que podem afetar o setor produtivo. Entre as prioridades estão segurança jurídica no campo, marco temporal, regularização fundiária e Funrural. Bertoni pretende consolidar as demandas ouvidas na Costa Leste em um documento a ser entregue aos candidatos ao governo de Mato Grosso do Sul. A entidade também mantém programas sociais no interior — Saúde do Homem, Saúde da Mulher e ações voltadas à Costa Leste de MS — como parte da atuação do Senar nas comunidades rurais.

Fontes: FAMASUL; RCN67