Suzano testa colheita florestal remota em MS e inaugura nova era tecnológica no setor
Projeto pioneiro permitiu operar máquina de colheita a até 350 quilômetros de distância, sem que o operador precisasse estar no campo
Mato Grosso do Sul voltou a se destacar no cenário da inovação florestal brasileira. A Suzano concluiu a primeira fase de um projeto pioneiro de teleoperação na colheita de eucalipto, permitindo que uma máquina do tipo harvester fosse comandada remotamente a até 350 quilômetros de distância da área de trabalho. A iniciativa foi realizada em Ribas do Rio Pardo e é considerada a primeira operação desse tipo em ambiente operacional no setor florestal do país.
Durante os testes, a tecnologia permitiu a colheita de aproximadamente 12 mil árvores em uma área equivalente a 12 campos de futebol. Os comandos partiram da torre de controle florestal da Suzano em Ribas do Rio Pardo, eliminando a necessidade de deslocamento constante das equipes até as fazendas onde ocorre a colheita.
O projeto foi desenvolvido em parceria com a Komatsu e a S4E Tech e começou a ser testado em abril de 2026. A inovação representa um avanço importante para a chamada silvicultura digital, tendência que vem ganhando espaço nos grandes polos produtores de celulose do Brasil.
Operador continua no comando
Apesar do uso de tecnologia avançada, a máquina não funciona de forma autônoma. O operador continua responsável por todos os movimentos, mas deixa de trabalhar dentro da cabine da máquina e passa a atuar em uma estação remota equipada com controles idênticos aos do equipamento original e imagens transmitidas em tempo real por câmeras instaladas no maquinário.
Sete profissionais foram capacitados para participar da primeira etapa do projeto. Segundo a empresa, a mudança reduz o tempo de deslocamento até as áreas de colheita, que atualmente pode chegar a cerca de duas horas por dia para alguns operadores.
Ganhos em segurança e qualidade de vida
Além da eficiência operacional, a iniciativa busca melhorar as condições de trabalho dos profissionais envolvidos na atividade florestal. A redução das viagens diárias e a possibilidade de trabalhar em um ambiente controlado são apontadas como benefícios diretos da tecnologia.
A operadora Beatriz Carolina Gonçalves, uma das participantes dos testes, relatou que a experiência exigiu adaptação, mas trouxe vantagens importantes. Segundo ela, a tecnologia pode proporcionar mais qualidade de vida aos profissionais ao reduzir o tempo gasto em deslocamentos e aumentar a convivência com a família.
Celulose impulsiona inovação em Mato Grosso do Sul
O avanço reforça o protagonismo de Mato Grosso do Sul no setor florestal brasileiro. Com grandes investimentos em celulose nos últimos anos, o Estado tem se consolidado como um dos principais polos mundiais de produção de fibra de eucalipto, atraindo projetos de inovação ligados à automação, conectividade e inteligência operacional.
Para a Suzano, a teleoperação pode representar uma transformação semelhante à mecanização que substituiu atividades manuais décadas atrás. A empresa já estuda novas etapas de testes e avalia a ampliação do uso da tecnologia em outras operações florestais.
Com a adoção de soluções digitais cada vez mais avançadas, Mato Grosso do Sul fortalece sua posição não apenas como líder na produção de celulose, mas também como referência em inovação aplicada ao agronegócio e à indústria florestal.