TCE-MS reduziu fila de 80 mil para 9 mil processos, diz Kayatt ao ser reeleito

Reeleito por unanimidade, presidente do Tribunal de Contas de MS defende fiscalização preventiva e explica como a 'Sala dos Prefeitos' muda a relação com gestores municipais.

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O conselheiro Flávio Esgaib Kayatt foi reeleito por unanimidade à presidência do TCE-MS (Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul) neste domingo, 6 de setembro de 2026, e com ela vem uma proposta de mudança de rota: transformar o órgão de fiscalizador punitivo em parceiro técnico dos gestores municipais, apostando em dados em tempo real para alertar sobre riscos antes que virem irregularidades.

A reeleição sem disputa, com os seis conselheiros votando em chapa única, levantou questionamentos sobre renovação institucional. Para Kayatt, a resposta está nos números: o Tribunal saiu de uma fila de quase 80 mil processos represados para 9 mil após a adoção do sistema integrado e-Sfinge — e a prévia do relatório de contas de governo, que antes levava semanas, passou a ser gerada em menos de 5 minutos.

De 80 mil a 9 mil: a virada tecnológica do TCE-MS

O e-Sfinge é o coração da mudança. A plataforma centraliza e cruza informações enviadas pelos municípios sul-mato-grossenses, permitindo que o Tribunal detecte inconsistências antes que elas se tornem prejuízo ao erário. "Fiscalizar pelo retrovisor, só olhando o que já foi gasto, já não dá conta da complexidade que a gestão pública tem hoje", afirmou Kayatt. A lógica agora é chegar antes do problema, não depois.

Outro símbolo dessa mudança de postura é a Sala dos Prefeitos, um espaço criado dentro do Tribunal especificamente para que gestores municipais tirem dúvidas e busquem orientação técnica — sem que esse contato signifique, necessariamente, o início de um processo. "Estou vendo os corredores da Corte cheios de prefeito circulando para resolver as coisas, tirando dúvida, pedindo orientação, e não mais só para se defender de multa", descreveu o presidente.

Campo Grande no radar: contas da Capital sob monitoramento

Questionado sobre os desafios financeiros enfrentados por Campo Grande — com pressões em saúde, transporte e pessoal — Kayatt reconheceu que a Capital ocupa um lugar especial no mapa fiscal do estado. Por ter receita própria mais robusta do que a maioria dos 79 municípios sul-mato-grossenses, Campo Grande carrega também maior responsabilidade. O Tribunal acompanha os indicadores da Capital pelo IEGM (Índice de Efetividade da Gestão Municipal) e pelos relatórios de gestão fiscal, monitorando onde os riscos estão se acumulando.

"O papel do Tribunal não é só apontar o problema depois que ele explodiu, é sinalizar com antecedência onde o risco está se formando, para que o gestor da Capital, como qualquer outro do Estado, tenha tempo de corrigir", disse Kayatt. Para o próximo biênio, o presidente também destacou a capacitação de novos prefeitos e secretários como prioridade — muitos chegam ao primeiro mandato, segundo ele, sem experiência consolidada em administração pública. Na composição interna do Tribunal, uma mudança concreta: o conselheiro Osmar Jeronymo assume a vice-presidência no novo biênio.

Fontes: TCE-MS; JD1 NOTÍCIAS