Por Wendell Reis | InvestigaMS
Médicos do Hospital de Câncer de Campo Grande, Alfredo Abrão, iniciaram uma paralisação dos atendimentos nesta quarta-feira. Eles anunciaram, no dia 18 de janeiro, que poderiam parar, e alegam não terem recebido nenhum sinal de atendimento a reivindicações após 30 dias do anúncio.
“A partir de hoje, serão realizados somente os atendimentos de urgência e emergência realizados no PAM (*Pronto Atendimento do HCAA, 24H), as cirurgias de urgências e emergências, atendimentos de UTI e os tratamentos nos setores de quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia já em andamento”, diz trecho da nota.
Segundo os médicos, as reivindicações não foram totalmente sanadas por conta do déficit financeiro acumulado no hospital, que chega a R$ 770 mil por mês. Eles cobram que Governo e Prefeitura cubram este déficit, bem como garanta a regularização dos pagamentos e dos vínculos/contratos dos integrantes do Corpo Clínico e regularização dos serviços de patologia e exames de imagens (ressonância magnética e cintilografia óssea), essenciais aos diagnósticos e seguimentos de tratamentos.
Os médicos afirmam que só normalizarão os atendimentos quando os recursos forem efetivamente liberados. O rombo nas contas, segundo os médicos, ficou ainda maior com o pagamento do 13º salário dos funcionários do hospital (422 colaboradores + 75 médicos).
O hospital é uma instituição filantrópica e atende 99% dos pacientes oriundos do SUS com os tratamentos totalmente gratuitos aos usuários. Segundo os médicos, hoje o hospital realiza 70% dos atendimentos oncológicos públicos de todo o Estado do Mato Grosso do Sul.
“Em 2022 foram realizados mais de 180 mil procedimentos (cirurgias, quimioterapias, radioterapias, consultas dentre outros atendimentos). Desta forma, buscamos soluções conjuntas com os parceiros públicos para que unidos possamos continuar a prover com qualidade e celeridade os tratamentos aos pacientes oncológicos”, conclui a nota.
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