Cachoeira de 156 m eleita 2ª do Brasil fica a 3h de Campo Grande

A Boca da Onça, em Bodoquena, ganhou prêmio do TripAdvisor em 2025 e ainda é um dos destinos menos explorados de MS. Veja como chegar e o que esperar.

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Uma cachoeira de 156 metros de altura formada por uma rocha que imita o rosto de uma onça de boca aberta, a Boca da Onça ficou em 2º lugar entre as melhores atrações do Brasil e em 3º na América Latina no prêmio Travelers' Choice Best of the Best do TripAdvisor em 2025 — e fica a menos de quatro horas de carro de Campo Grande, no município de Bodoquena, no sudoeste de Mato Grosso do Sul. Apesar do reconhecimento internacional, o destino ainda é muito menos frequentado do que o vizinho Bonito, a apenas 70 km de distância.

O que torna a região tão singular começa debaixo da terra. O calcário que forma a Serra da Bodoquena age como um filtro natural da água da chuva: ao atravessar esse substrato por milhões de anos, a água perde praticamente toda a turbidez e emerge com os tons azulados e verde-esmeralda que caracterizam os rios da região — o Salobra, o Azul, o Perdido, o Formoso e o Betione. O mesmo processo geológico deposita minerais que erguem barragens e cachoeiras naturais ao longo dos cursos d'água.

O nome que a pedra deu à cachoeira mais alta do estado

Vista de baixo, uma formação rochosa no meio da queda d'água desenha com precisão surpreendente o focinho e as mandíbulas de uma onça com a boca escancarada. Não foi um arquiteto nem um escultor: foi a erosão, ao longo de eras geológicas, que moldou o que hoje dá nome ao atrativo mais premiado da Serra da Bodoquena. A fazenda onde a cachoeira está localizada reserva 55% dos seus 2 mil hectares para preservação ambiental — proporção rara mesmo entre propriedades reconhecidas por práticas sustentáveis.

O premiado atrativo é acessado por trilha, e a experiência inclui a descida até a base da queda, onde a temperatura da água gelada da serra contrasta com o calor do Pantanal vizinho. Para quem chega no período seco, entre maio e setembro, os rios ficam ainda mais cristalinos e as trilhas são mais fáceis de percorrer. No verão, as chuvas aumentam o volume das cachoeiras, mas podem dificultar o acesso a alguns pontos.

Parque Nacional no coração de três biomas

Criado em setembro de 2000, o Parque Nacional da Serra da Bodoquena é a única unidade de conservação federal de proteção integral em Mato Grosso do Sul. São 77.021 hectares administrados pelo ICMBio e distribuídos entre os municípios de Bodoquena, Bonito, Jardim e Porto Murtinho. O parque ocupa uma zona de transição entre o Cerrado, o Pantanal e o último grande fragmento de Mata Atlântica do estado — combinação que explica a riqueza extraordinária de espécies registradas no local.

Dentro dessa área protegida vivem mais de 340 espécies de aves e 195 de mamíferos, incluindo animais ameaçados como a onça-pintada e o cachorro-vinagre. Abaixo do nível do solo, os mesmos rios que surgem límpidos na superfície moldaram sistemas de cavernas inundadas que ainda são objeto de pesquisa científica. O nome do município, aliás, não é por acaso: Bodoquena vem do tupi-guarani e significa "nascente em cima da serra" — uma alusão direta ao papel da região como berço dos rios que abastecem parte do sudoeste sul-mato-grossense.

Como chegar a Bodoquena saindo de Campo Grande ou Bonito

De Campo Grande, o trajeto percorre 265 km pela BR-262 até Miranda e depois pela MS-339, com tempo estimado de 3h20 de carro. Quem já está em Bonito tem o caminho mais curto: são 70 km pela MS-178, feitos em cerca de uma hora. O aeroporto mais próximo é o de Bonito, com voos regulares operando saídas de São Paulo e Campinas.

A serra oferece experiências para perfis variados — famílias com crianças encontram trilhas acessíveis e flutuação em águas rasas; praticantes de esportes radicais têm rafting no Rio Salobra e descidas em cânions com paredões de até 80 metros. Quem ainda não incluiu Bodoquena no roteiro de Mato Grosso do Sul está adiando um encontro com um dos cenários mais raros do país — e com o mais alto prêmio que o turismo global oferece para comprovar isso.

Fontes: ICMBIO, TRIPADVISOR