O Governo de Mato Grosso do Sul está na reta final da elaboração do projeto de pavimentação da MS-434 e da ponte que ligaria Paranaíba ao Estado de Goiás pela região conhecida como Ponte do Guilhermão, sobre o Rio Paranaíba. A confirmação veio do secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Guilherme Alcântara, e reacende uma reivindicação que produtores rurais, sindicatos e parlamentares dos dois estados repetem há anos sem resposta concreta.
A demanda voltou à mesa do governo depois que o presidente do Sindicato Rural de Paranaíba, Gilmar Macedo, levou o pedido diretamente ao governador Eduardo Riedel, acompanhado de toda a diretoria da entidade. O movimento do setor produtivo dá o tom do que está em jogo: a região leste de Mato Grosso do Sul vive uma aceleração econômica significativa, puxada pelo agronegócio, pela indústria sucroenegética, pela silvicultura e pelos grandes projetos de celulose — e a infraestrutura de escoamento ainda não acompanha esse ritmo.
Em entrevista à Rádio Cultura FM de Paranaíba, o secretário Guilherme Alcântara foi cuidadoso ao calibrar as expectativas. "É possível continuar sonhando. O Estado está terminando o projeto dessa rodovia, não só da rodovia como também da ponte que liga com o Estado de Goiás", afirmou. A frase sinaliza avanço técnico, mas o secretário também indicou que a execução da obra pode ser tratada em um eventual segundo mandato do governador Riedel — o que, na prática, significa que sair do papel ainda levará tempo.
O que muda agora em relação a iniciativas anteriores é que o Estado passou da fase de promessas para a fase de projeto. Ter um projeto executivo concluído é o passo que antecede a licitação e a busca por financiamento — sem ele, a obra não existe nem no orçamento. Essa é a diferença que o setor produtivo de Paranaíba tenta transformar em argumento político para acelerar o processo.
A viabilidade plena da ligação não depende só de Mato Grosso do Sul. No lado goiano, existe mobilização pela pavimentação da GO-164, que conecta o distrito de Itagüaçu — pertencente ao município de São Simão — até a Ponte do Guilhermão. Sem esse trecho goiano pavimentado, uma eventual MS-434 asfaltada chegaria até a margem do rio e encontraria terra do outro lado, esvaziando parte do benefício logístico.
A articulação entre lideranças de Paranaíba e representantes do sudoeste goiano é, portanto, tão necessária quanto a pressão sobre o governo estadual sul-mato-grossense. Municípios goianos da região também têm interesse no corredor, o que cria uma janela política para que os dois estados avancem em conjunto — algo que, historicamente, torna projetos de infraestrutura interestaduais mais viáveis quando há pressão coordenada.
Para entender a urgência do setor produtivo, basta olhar o que está acontecendo no entorno de Paranaíba. A cidade está no epicentro de um processo de transformação econômica que envolve expansão da pecuária intensiva, crescimento da produção de cana-de-açúcar e etanol, avanço da eucaliptocultura voltada à celulose e chegada de grandes projetos industriais. Toda essa produção precisa sair por estradas — e quanto mais alternativas pavimentadas existirem, menores os custos de frete e o desgaste das vias já existentes.
Uma ligação direta com Goiás pela Ponte do Guilhermão abriria um corredor que aproximaria Paranaíba de municípios importantes do sudoeste goiano, reduzindo distâncias percorridas hoje por rotas alternativas e criando uma opção para o escoamento da produção regional. Para caminhoneiros e produtores que hoje contornam dezenas de quilômetros para cruzar de um estado ao outro nesse trecho, a estrada representaria economia real em tempo e combustível.
O projeto de Paranaíba para Goiás pela MS-434 é, em resumo, uma peça de infraestrutura que o crescimento econômico do leste sul-mato-grossense está cobrando — e que agora tem, ao menos, o desenho técnico caminhando para a conclusão. O próximo desafio é transformar esse projeto em obra, o que depende de recursos, vontade política e coordenação entre os dois estados.
Fontes: SECRETARIA ESTADUAL DE INFRAESTRUTURA E LOGÍSTICA DE MS, SINDICATO RURAL DE PARANAÍBA