Agro de MS ganha fôlego com queda nos juros futuros e PIB puxado pelo campo

Taxas futuras recuaram nesta terça após pesquisas eleitorais mais equilibradas e PIB do 2º tri com agropecuária como principal motor; entenda o que muda para o produtor sul-mato-grossense.

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As taxas dos juros futuros fecharam em queda nesta terça-feira, 1º de setembro de 2026, num movimento que combinou dois fatores: um cenário eleitoral mais competitivo do que o esperado e a leitura de que o PIB do segundo trimestre — crescimento de 0,5% ante o trimestre anterior — deixou aberta a porta para novos cortes na Selic. Para o produtor rural de Mato Grosso do Sul, que depende diretamente do custo do crédito agrícola, o dia terminou com sinal positivo.

O protagonismo da agropecuária no resultado do PIB não foi por acaso. Enquanto setores da demanda doméstica perderam tração, o campo sustentou o número — e esse detalhe pesou na avaliação dos mercados sobre o ritmo futuro de afrouxamento monetário. Para um estado como MS, onde soja, milho e pecuária movimentam bilhões por safra, qualquer movimento de juros repercute diretamente no custo do financiamento das lavouras e na rentabilidade das operações.

Por que o campo segurou o PIB — e o que isso significa

O PIB brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre na série dessazonalizada, acima do consenso do mercado, que projetava 0,4%. Mas o dado cheio esconde uma composição relevante: excluindo a agropecuária, o avanço cai para 0,2%; sem agropecuária e mineração, recua para apenas 0,1%. Em outras palavras, foi o setor rural que evitou um resultado ainda mais modesto. "Excluindo a agropecuária, o PIB avançou 0,2% frente ao trimestre anterior", afirmou Henrique Danyi, economista do Santander.

Esse peso do setor primário na composição do crescimento nacional reflete a relevância de estados como Mato Grosso do Sul, que figura entre os maiores produtores de proteína animal e de grãos do Brasil. A safra recorde de soja e o desempenho da pecuária sul-mato-grossense contribuíram para o número nacional — e agora colhem, indiretamente, os efeitos do alívio nos juros.

Mercado aposta em novo corte da Selic em setembro

A queda das taxas foi disseminada ao longo da curva de juros. O contrato de DI para janeiro de 2027 saiu de 13,61% para 13,585%; o vencimento de janeiro de 2029 recuou de 14,188% para 14,11%; e o de janeiro de 2031 caiu de 14,499% para 14,39%. Tudo isso mesmo com o petróleo em alta de 5% no dia, impulsionado pela renovação de tensões entre Estados Unidos e Irã.

"O fator político foi o principal vetor da queda das taxas", avaliou Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez. Segundo ele, o mercado leu a disputa eleitoral mais equilibrada — com Lula e Flávio Bolsonaro empatados em 44% numa pesquisa Real Time Big Data para o segundo turno — como elemento redutor de incerteza. O economista-chefe do banco Bmg, Flávio Serrano, acrescentou que a curva de juros embutia, ao fim da tarde, 100% de probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual da Selic em setembro e 60% de chance de novo corte em novembro.

O que muda para o produtor rural de Mato Grosso do Sul

A eventual redução da Selic em setembro impacta diretamente o custo do crédito rural no estado. Mato Grosso do Sul responde por volumes expressivos de financiamento agrícola a cada safra — e qualquer queda na taxa básica tende a se refletir nas linhas do Plano Safra, nos financiamentos do Funrural e nos contratos de custeio e investimento acessados por produtores de soja em Dourados, Maracaju e Chapadão do Sul, ou pelos pecuaristas do Pantanal e da Região Norte do estado.

O movimento de hoje no mercado futuro sinaliza que o ciclo de afrouxamento monetário ainda tem fôlego — o que, combinado ao papel de protagonista que a agropecuária acaba de cumprir no PIB nacional, coloca o setor rural sul-mato-grossense numa posição estratégica: foi o campo que sustentou o crescimento e, agora, pode ser o principal beneficiário do barateamento do crédito que essa mesma performance ajudou a viabilizar.

Fontes: CANAL RURAL, BANCO CENTRAL DO BRASIL, IBGE