Ventos de 99 km/h derrubam postes e deixam Tacuru e Paranhos sem luz por 14 horas

Temporal na fronteira de MS com o Paraguai derrubou postes, interditou rodovias e deixou hospitais sem água; Energisa restaurou serviço pela manhã.

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Um temporal com rajadas de vento que chegaram a 99 km/h atingiu a região de fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai na noite desta segunda-feira (31), derrubando postes e árvores em Tacuru e Paranhos e deixando as duas cidades completamente sem energia elétrica, internet e telefonia por quase 14 horas. O fornecimento só foi restabelecido na manhã desta terça-feira (), após equipes da Energisa trabalharem durante toda a madrugada.

As duas municípios, localizados no extremo sul do estado, somam cerca de 20 mil habitantes e dependem de uma mesma rede elétrica — o que fez com que a queda dos postes em Tacuru contaminasse o fornecimento em Paranhos, a 462 km de Campo Grande. O apagão expôs a fragilidade da infraestrutura de distribuição de energia em cidades de pequeno porte na faixa de fronteira, onde a redundância de rede é praticamente inexistente.

Postes caídos, rodovias interditadas e fazenda destruída

Em Tacuru, o prefeito Rogério Torquetti (PSDB) relatou que cinco postes caíram na saída para Amambai, isolando duas famílias que residem a cerca de 3 km do perímetro urbano, cercadas por fios energizados. Na MS-395, trecho em direção a Iguatemi, eucaliptos tombaram sobre a pista e provocaram a interdição da rodovia. A placa de uma unidade da cooperativa C-Vale também foi arrancada pela força do vento. "Está todo mundo sem internet; estou com sinal da Starlink", disse Torquetti, que precisou recorrer ao serviço de internet via satélite para se comunicar com a imprensa.

Na zona rural do município, um proprietário descreveu cenas que, segundo ele, pareciam efeito de um tornado. "Nunca vi um trem daquele na minha vida. Arrancou quase todos os pés de manga, galhos do pasto foram quebrados e ficou só o tronco. Tinha uma caixa de 10 mil litros de água que desapareceu e ainda não conseguimos encontrar. Um bebedouro de 6 mil litros e um tanque de combustível de 1.000 litros também sumiram", relatou o produtor em áudio enviado ao prefeito.

Paranhos: hospital e postos de saúde sem água durante a crise

Em Paranhos, os efeitos foram igualmente graves. O prefeito Heliomar Klabunde (MDB) confirmou que o hospital municipal e os postos de saúde da cidade ficaram sem água durante o apagão, já que as bombas de abastecimento dependem de energia elétrica. "Está um caos, mas fui informado que dentro de duas horas o serviço estará normalizado", disse o prefeito ainda no início da manhã desta terça. No perímetro urbano, o vento derrubou árvores e destelheu residências, e a prefeitura ainda realizava o levantamento completo dos danos.

A situação em Paranhos foi agravada pelo fato de que a cidade não possui geração própria: toda a sua rede depende da linha que passa por Tacuru. Com os postes derrubados naquele município, a interrupção foi total e simultânea nas duas cidades, sem possibilidade de roteamento alternativo.

Energisa trabalhou a madrugada e restabeleceu o serviço pela manhã

Em nota, a Energisa confirmou que os ventos, registrados pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) com picos de 99 km/h, arremessaram objetos contra a rede elétrica, provocando danos que exigiram a reconstrução completa de alguns trechos. "Desde o início das ocorrências, equipes atuaram identificando os estragos e realizando os reparos. Em alguns pontos, a rede precisou ser reconstruída por completo. As equipes seguiram trabalhando durante toda a madrugada", informou a concessionária.

O fornecimento foi restabelecido de forma gradual ao longo da manhã desta terça-feira: Paranhos voltou a ter energia às 9h05 e Tacuru às 9h17. A normalização ocorreu após quase 14 horas de apagão completo. A Prefeitura de Tacuru informou que havia feito a retirada das árvores da rodovia antes mesmo da chegada das equipes da concessionária, priorizando a liberação do tráfego na MS-395.

O episódio reacende o debate sobre a resiliência da infraestrutura elétrica em municípios de fronteira em Mato Grosso do Sul. Com eventos climáticos extremos se tornando mais frequentes na região, cidades como Tacuru e Paranhos — que já convivem com limitações de conectividade e serviços de saúde — ficam especialmente vulneráveis quando a única linha de distribuição de energia colapsa.

Fontes: ENERGISA, INMET, PREFEITURA DE TACURU, PREFEITURA DE PARANHOS