China pode retomar compras de carne bovina brasileira em setembro e impulsionar exportações
Setor acompanha possível retorno do principal mercado comprador após mês de embarques mais fracos
O mercado de carne bovina brasileiro acompanha com expectativa a possibilidade de retomada das compras chinesas na segunda quinzena de setembro. A avaliação é do analista Felipe Fabbri, da Scot Consultoria, que aponta o retorno da demanda chinesa como um fator capaz de melhorar o desempenho das exportações brasileiras nos próximos meses.
Segundo o especialista, agosto deve ser encerrado com aproximadamente 197 mil toneladas de carne bovina embarcadas. Embora o volume represente o menor patamar registrado em 2026, ele ainda é considerado elevado quando comparado aos padrões históricos do setor.
A desaceleração nas exportações ao longo de agosto foi influenciada principalmente pelo ritmo mais cauteloso das compras da China, principal destino da carne bovina produzida no Brasil. O país asiático exerce forte influência sobre os preços e sobre o desempenho das vendas externas do segmento, absorvendo parcela significativa da produção destinada ao mercado internacional.
A expectativa de retomada das aquisições na segunda metade de setembro pode criar um ambiente mais favorável para os frigoríficos exportadores. Com o retorno da demanda chinesa, a tendência é de melhora no fluxo dos embarques e maior sustentação dos preços da proteína bovina no mercado externo.
Apesar do otimismo moderado, o cenário ainda apresenta incertezas. Analistas destacam que o comportamento do mercado chinês continua sendo um fator de atenção, especialmente em relação ao consumo interno, aos estoques e à estratégia de importação adotada pelos compradores do país asiático.
Mesmo com a possível recuperação, a projeção é que o volume exportado em setembro permaneça abaixo do registrado no mesmo período de 2025, refletindo um ambiente internacional mais desafiador e ajustes na demanda global por proteínas.
O Brasil segue como um dos maiores exportadores mundiais de carne bovina e tem na China seu principal parceiro comercial para o produto. Por isso, qualquer movimentação do mercado chinês costuma gerar impactos diretos sobre toda a cadeia pecuária nacional, desde os produtores rurais até os frigoríficos e empresas exportadoras.
Para o setor, o desempenho de setembro será decisivo para avaliar se a recuperação esperada se consolidará nos últimos meses do ano, contribuindo para manter o protagonismo brasileiro no comércio internacional de carne bovina.