Boi gordo atinge R$ 350/@ em São Paulo em meio a oferta restrita e pecuaristas cautelosos

Com liquidez baixa e vendas de carne ainda lentas, frigoríficos recorrem a confinamento próprio e reduzem abates para completar escalas sem pressionar os preços

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O mercado do boi gordo manteve estabilidade segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A menor disponibilidade de animais continua ditando o ritmo das negociações, enquanto as indústrias enfrentam dificuldades para fechar as escalas de abate diante de um consumo de carne ainda fraco.

Diante desse cenário, frigoríficos de pequeno e médio porte optam por duas estratégias: diminuir o ritmo de abates ou utilizar bovinos de confinamentos próprios. A medida permite completar a programação sem precisar ofertar valores mais elevados aos pecuaristas.

No Mato Grosso do Sul, as cotações do boi gordo também se mantiveram firmes, embora em patamar ligeiramente inferior ao de São Paulo. Segundo levantamento da Scot Consultoria, as negociações em Campo Grande e Dourados ocorreram a R$ 339,00 à vista e R$ 343,00 a prazo de 30 dias, enquanto em Três Lagoas os valores ficaram em R$ 336,00 e R$ 340,00, respectivamente. O boi China foi cotado a R$ 343,00 a prazo.

A oferta restrita de animais e as escalas de abate em torno de cinco dias continuam sustentando os preços no estado, mesmo com a cautela dos frigoríficos diante do ritmo ainda moderado das vendas de carne no mercado interno.

No principal mercado do país, São Paulo, o cenário é semelhante. Os pecuaristas se mostram mais retraídos e a liquidez permanece baixa. A arroba foi negociada entre R$ 340 e R$ 345, com negócios pontuais chegando a R$ 350.

As escalas de abate ficaram, em média, em cerca de uma semana.No mercado atacadista de carne bovina, a expectativa é de melhora nas vendas com a aproximação da semana de pagamento. Por enquanto, os preços seguem praticamente estáveis. Na última quinta-feira, a carcaça casada bovina à vista na Grande São Paulo registrou média de R$ 24 por quilo.

A combinação de oferta enxuta e demanda ainda cautelosa mantém o equilíbrio no mercado. Enquanto os pecuaristas seguram a oferta na expectativa de melhores condições, as indústrias continuam buscando alternativas internas para não elevar os valores pagos pelo animal terminado.

O comportamento dos próximos dias, especialmente após o reforço de caixa do consumidor, deve indicar se a estabilidade atual se mantém ou se novos ajustes de preço começam a aparecer.