Rodoviária de Nova Andradina tem incêndio e banheiros sem portas após 32 anos
Terminal Décio de Azevedo Mattos, inaugurado em 1994, acumula infiltrações, insalubridade e risco de incêndio; usuários e comerciantes cobram reforma urgente da prefeitura.
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O Terminal Rodoviário Décio de Azevedo Mattos, em Nova Andradina, completou 32 anos de funcionamento em setembro sem receber as reformas que passageiros, comerciantes e trabalhadores do espaço consideram urgentes. O ponto de inflexão que acendeu o alerta foi um incêndio recente provocado por um colchão dentro da estrutura — episódio que expõe falhas graves de controle de acesso e segurança no principal portão de entrada da cidade para quem viaja pelo interior do estado.
O terminal foi inaugurado em setembro de 1994, na gestão do então governador Pedro Pedrossian, com arquitetura robusta e generosa em espaço físico. Três décadas depois, o mesmo prédio que deveria funcionar como cartão de visitas de Nova Andradina para os viajantes que chegam da região do Vale do Ivinhema acumula um passivo de deterioração que vai da insalubridade nos sanitários ao risco permanente de sinistros maiores.
Banheiros inutilizáveis e estrutura com infiltraçõesA área dos sanitários é apontada de forma unânime como o problema mais visível do terminal. Boxes sem portas, louças danificadas, vazamentos constantes e ausência de higiene básica transformam o espaço em motivo de constrangimento — especialmente para idosos e mães com crianças em trânsito. "O banheiro é inutilizável em vários momentos do dia. A estrutura da rodoviária é fantástica, mas parece abandonada", relatou uma usuária frequente do transporte intermunicipal, que pediu para não ser identificada.
A estrutura de concreto resiste ao tempo, mas a cobertura cede diante das chuvas: infiltrações comprometem setores internos e a pintura desgastada reforça a impressão de abandono. Um trabalhador com anos de casa no terminal foi direto: "Vejo o prédio se deteriorar dia a dia. Se não fizerem uma reforma urgente, o prejuízo financeiro e social será imensamente maior do que o custo de uma intervenção agora".
Incêndio expõe risco real para passageiros e comerciantesA ausência de controle de acesso noturno transformou o terminal em ponto de abrigo para pessoas em situação de rua — fato que, segundo relatos colhidos pela reportagem, vem ocorrendo há meses sem resposta efetiva do poder público. A situação resultou no incidente mais grave até agora: um colchão pegou fogo dentro da estrutura, gerando risco imediato para o patrimônio público e para quem estava no local. "Poderia ter queimado o prédio inteiro ou ferido alguém. Não temos segurança nenhuma para trabalhar ou esperar um ônibus", disse outro trabalhador do terminal, também sob sigilo.
A iluminação deficiente agrava o problema. Sem policiamento permanente e sem monitoramento, o espaço fica vulnerável especialmente durante a madrugada — período em que a circulação de passageiros em conexão entre municípios da região ainda acontece.
Nova Andradina cobra do poder público uma solução concretaPor sua posição geográfica e relevância comercial no Vale do Ivinhema, Nova Andradina recebe diariamente viajantes, estudantes e profissionais vindos de diferentes pontos de Mato Grosso do Sul. O terminal rodoviário é o primeiro contato dessa demanda com a cidade — e o estado atual do espaço contradiz a vocação regional do município. A revitalização do terminal é classificada por quem usa e trabalha no local não como obra de embelezamento, mas como demanda simultânea de saúde pública, segurança e assistência social.
O caso de Nova Andradina insere-se num problema mais amplo que Mato Grosso do Sul conhece bem: a degradação de terminais rodoviários municipais que envelhecem sem planos estruturados de manutenção. A comparação com a situação da antiga rodoviária de Campo Grande — que acumula críticas semelhantes de usuários e moradores do entorno — mostra que o fenômeno não é exclusividade de cidades do interior, mas a falta de solução pesa de forma desigual sobre quem depende do transporte intermunicipal público para se locomover no estado.
Fontes: NOVA FM 96