Campo Grande monitora fake news e rumores para agir antes de surtos

O CIEVS-CG completa cinco anos de rastreamento diário de alertas em saúde, inclusive aos fins de semana, para antecipar riscos epidemiológicos na capital.

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Sete dias por semana, incluindo feriados, uma equipe da Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (Sesau) varre notícias, redes sociais e fontes oficiais em busca de qualquer sinal que possa indicar um risco sanitário antes que ele se torne um problema real. É esse o trabalho do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS-CG), que completou cinco anos do seu serviço de monitoramento contínuo — o chamado Clipping Diário — em agosto de 2025.

A iniciativa foi criada em agosto de 2021, em plena pandemia de Covid-19, e desde então passou a integrar oficialmente a chamada Vigilância Baseada em Eventos (VBE), metodologia que complementa os sistemas tradicionais do SUS ao capturar sinais de alerta que ainda não aparecem nas notificações formais. Em outras palavras: o serviço tenta enxergar o incêndio antes da fumaça.

Como funciona o radar epidemiológico da capital

A rotina do CIEVS-CG envolve busca, triagem e verificação de conteúdos publicados em mídias digitais, plataformas abertas e fontes tanto oficiais quanto não oficiais. Quando algo chama atenção — uma informação sobre aumento de casos de uma doença, um rumor circulando em grupos de WhatsApp ou uma notícia sobre contaminação alimentar —, o Serviço de Detecção de Rumores e Eventos aciona as áreas técnicas da Sesau para avaliar se há risco real e definir que medidas tomar.

O resultado do monitoramento é publicado diariamente nos stories do perfil @cievs_cg no Instagram. Um compilado semanal, organizado por semana epidemiológica, também fica disponível em plataforma própria para consulta de gestores e profissionais de saúde. Nos últimos cinco anos, o serviço apoiou respostas a surtos de arboviroses — como dengue e chikungunya —, doenças respiratórias, zoonoses e situações de desastre ambiental.

Desinformação também é monitorada

Um dos pilares do trabalho é exatamente o combate à desinformação em saúde. A superintendente de Vigilância em Saúde da Sesau, Veruska Lahdo, explica que o volume de conteúdos falsos que circulam nas redes exige uma camada de verificação antes de qualquer ação institucional. "Mais do que divulgar notícias, o Clipping funciona como um sistema de alerta. Em um cenário em que circulam muitas informações, inclusive conteúdos falsos, é fundamental identificar o que é relevante, verificar os fatos e levar essa informação para quem precisa tomar decisões. Quanto mais cedo conseguimos perceber um sinal de risco, maior é a nossa capacidade de nos preparar e proteger a população", afirmou Lahdo.

A lógica é simples: uma fake news sobre contaminação de água ou surto de febre pode gerar pânico desnecessário ou, no sentido inverso, mascarar um risco verdadeiro que precisa de resposta rápida. O CIEVS-CG funciona como filtro entre o ruído digital e a tomada de decisão da saúde pública municipal.

Campo Grande como referência para MS

A existência de um núcleo dedicado exclusivamente a esse tipo de monitoramento coloca Campo Grande em posição de referência dentro do estado. Municípios menores de Mato Grosso do Sul dependem, em grande parte, das análises produzidas pelo nível estadual e pela capital para identificar tendências epidemiológicas regionais — o que torna o trabalho do CIEVS-CG relevante não apenas para os mais de 900 mil moradores da cidade, mas para toda a rede de saúde sul-mato-grossense.

Com a chegada do período chuvoso, que historicamente concentra os picos de dengue e leptospirose no estado, o serviço tende a operar em ritmo ainda mais intenso. A Sesau não divulgou previsão de ampliação da equipe, mas informou que o sistema segue em aprimoramento contínuo de formato e periodicidade desde a sua criação.

Fontes: SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE CAMPO GRANDE (SESAU)