Saltenha boliviana vira receita de renda para 50 mulheres em Campo Grande
Oficina gratuita do FAC ensina preparo da saltenha e técnicas de precificação para mulheres do bairro Vespasiano Martins nesta sexta-feira.
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O Fundo de Apoio à Comunidade (FAC) realiza nesta sexta-feira (28) uma oficina de culinária e empreendedorismo voltada para 50 mulheres da região do Anhanduizinho, em Campo Grande, com um cardápio que cruza fronteiras: o prato principal do aprendizado é a saltenha, empanada de origem boliviana que ganhou o paladar do Centro-Oeste e virou aposta de negócio para quem quer gerar renda em casa.
A atividade, chamada de Mão na Massa, acontece a partir das 14h na sede da Associação Solidária às Famílias do Vespasiano Martins, na Rua Elpídio Gomes, 56. O curso não se limita ao fogão: ao lado das receitas, as participantes passam por uma formação em precificação, escolha de insumos de baixo custo e estratégias de divulgação — tudo o que um pequeno negócio de alimentação precisa para sair do quintal e chegar ao mercado.
Saltenha tradicional e uma receita surpresa no menuO cardápio da oficina combina o brigadeiro de banana — doce com apelo regional e custo acessível — com duas versões da saltenha. A primeira é a receita tradicional boliviana, massa recheada e assada que faz sucesso em feiras e eventos em toda a região de fronteira. A segunda é descrita pela organização como uma surpresa guardada a sete chaves até a hora da aula.
"Quem participar dessa oficina vai aprender novidade. Serão duas receitas de saltenha: a tradicional e outra surpresa que faz parte de um segredo da aula de culinária", disse Adir Diniz, presidente do FAC. A estratégia de manter a receita em sigilo é também uma forma de estimular a presença das participantes: quem não comparecer não descobre.
Da cozinha ao negócio: o foco é a independência financeiraA proposta do FAC com a série Mão na Massa é transformar o saber culinário em fonte concreta de renda. Por isso, a parte comercial ocupa espaço igual ao da bancada: as mulheres aprendem a calcular o custo real de cada receita, definir o preço de venda com margem de lucro e escolher embalagens que valorizem o produto sem encarecer a produção.
Ao final da oficina, cada participante recebe um certificado profissional, documento que pode ser usado na apresentação de currículos, no cadastro em feiras municipais e no acesso a linhas de crédito voltadas para empreendedoras. O programa do FAC se alinha a uma estratégia mais ampla da prefeitura de Campo Grande de estimular a economia circular nas comunidades de menor renda — modelo em que o dinheiro gerado localmente tende a ser reinvestido no próprio bairro.
Vagas limitadas: como garantir participaçãoAs 50 vagas disponíveis são preenchidas por ordem de procura, e a inscrição não é feita online. Mulheres interessadas devem ir pessoalmente à sede da Associação Solidária às Famílias do Vespasiano Martins, na Rua Elpídio Gomes, 56, para obter informações e garantir o lugar na turma.
A saltenha, vale lembrar, já é presença frequente em feiras de rua, eventos culturais e pequenos comércios em cidades sul-mato-grossenses próximas à fronteira boliviana, como Corumbá e Porto Murtinho. Em Campo Grande, o prato avança junto com a comunidade boliviana que habita a cidade — e a oficina desta sexta reconhece esse movimento ao transformar a receita imigrante em ferramenta de autonomia econômica para mulheres da periferia.
Fontes: PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPO GRANDE