Neurointervenção e ureteroscopia chegam ao SUS em Três Lagoas com contrato de R$ 12,8 mi

Governo de MS renova por nove meses o contrato com o Instituto Acqua para gerenciar o Hospital Regional de Três Lagoas, ampliando procedimentos de alta complexidade pelo SUS.

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O governo de Mato Grosso do Sul garantiu a continuidade dos serviços de saúde de alta complexidade no Hospital Regional de Três Lagoas ao assinar, em 18 de agosto de 2026, o 14º termo aditivo ao contrato com o Instituto Acqua Ação, Cidadania, Qualidade Urbana e Ambiental. O acordo prevê um repasse global estimado em R$ 12,8 milhões ao longo de nove meses e, pela primeira vez, incorpora ao escopo da unidade dois procedimentos que antes não estavam disponíveis para os usuários do SUS na região: a neurointervenção e a ureterorrenoscopia flexível.

O hospital é gerenciado pelo Instituto Acqua desde abril de 2022, quando o estado firmou o contrato original de gestão. Ao longo desses quatro anos, a unidade consolidou-se como referência regional de média e alta complexidade para municípios do Bolsão e do Vale do Rio Paraná. A incorporação das duas novas especialidades representa um salto qualitativo relevante: neurointervenção abrange procedimentos minimamente invasivos para doenças cerebrovasculares, como aneurismas e AVCs, enquanto a ureterorrenoscopia flexível permite tratar cálculos renais sem cirurgia aberta — dois gargalos históricos no acesso a esse nível de cuidado fora da capital.

O que muda para os pacientes do Bolsão

Com a ampliação dos serviços, moradores de Três Lagoas e dos municípios que compõem a macrorregião de saúde — como Água Clara, Brasilândia, Selvíria e Ribas do Rio Pardo — passam a ter acesso a procedimentos que, até então, exigiam deslocamento até Campo Grande ou outros centros especializados. Para quem depende exclusivamente do SUS, essa distância representa horas de viagem, custo de transporte e, muitas vezes, piora do quadro clínico enquanto aguarda regulação.

O hospital já conta com cerca de 700 funcionários, entre diretos e indiretos, e oferece especialidades como clínica médica, clínica cirúrgica, pediatria e hemodinâmica, além de exames de imagem — tomografia, ressonância magnética, raio-x, ultrassonografia — e eletrocardiograma e análises laboratoriais. A expansão anunciada se soma a essa estrutura sem exigir nova licitação, o que acelera a implementação dos serviços.

Valores e vigência do contrato ampliado

Para o exercício financeiro de 2026, a despesa inicial autorizada é de R$ 1.422.292,58, conforme nota de empenho emitida em 23 de junho de 2026. O montante global de R$ 12,8 milhões resulta da projeção dos repasses pelos nove meses de vigência do aditivo, que se estende até o término do contrato original firmado em 2022. O termo foi assinado pelo secretário estadual de Saúde, Mauricio Simões Corrêa, pelo representante do Fundo Especial de Saúde de MS, Antonio Cesar Naglis, e pelo representante do Instituto Acqua, Samir Rezende Siviero. A publicação ocorreu no Diário Oficial do Estado desta terça-feira, 25 de agosto de 2026.

Três Lagoas como polo de saúde de alta complexidade no leste de MS

O investimento reforça uma aposta do governo estadual em descentralizar procedimentos complexos, reduzindo a pressão sobre os hospitais de Campo Grande. Três Lagoas, que já se destaca como um dos maiores polos industriais e de celulose do país, vem ampliando também sua infraestrutura de serviços públicos para atender uma população que cresce impulsionada pela economia regional.

A lógica é clara: municípios do Bolsão estão a mais de 300 quilômetros de Campo Grande, e manter um hospital regional capaz de realizar neurocirurgia intervencionista e procedimentos urológicos minimamente invasivos diminui o tempo entre diagnóstico e tratamento — variável crítica em casos de AVC e cólica renal complicada. O próximo passo observado pelo setor de saúde será a regularização do fluxo de regulação dessas novas especialidades dentro do sistema estadual.

Fontes: GOVERNO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL, DIÁRIO OFICIAL DO ESTADO