PF cumpre buscas contra vice-prefeita de Campo Grande em apuração de investimento previdenciário no Banco Master
Casa e gabinete de Camilla Nascimento são alvos de mandados da Operação Presciência; PF apura aplicação de R$ 1,2 milhão do IMPCG em Letras Financeiras do Banco Master e suspeita de gestão temerária e corrupção.
A Polícia Federal (PF) cumpriu, nesta terça-feira (25 de agosto de 2026), mandados de busca e apreensão na casa e no gabinete de Camilla Nascimento, vice-prefeita de Campo Grande (MS) e secretária municipal de Assistência Social.
A ação faz parte da Operação Presciência, que investiga possíveis irregularidades na aplicação de R$ 1,2 milhão de recursos do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) em Letras Financeiras do Banco Master. Ao todo, foram cumpridos seis mandados expedidos pela 3ª Vara Federal de Campo Grande. A Justiça também determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados. A PF apura a possível prática dos crimes de gestão temerária, corrupção passiva e corrupção ativa.
Origem da investigação
A apuração teve início a partir de um relatório de auditoria do Ministério da Previdência Social (Coordenação-Geral de Auditoria do Departamento dos Regimes Próprios de Previdência Social). O documento apontou possíveis irregularidades no processo decisório que levou ao investimento de R$ 1,2 milhão pelo IMPCG.
Segundo a PF, há indícios de que servidores envolvidos, por ação ou omissão, não observaram procedimentos técnicos e administrativos previstos, expondo o patrimônio do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) municipal a riscos. O investimento ocorreu em abril de 2024, em Letra Financeira com vencimento previsto para abril de 2029. O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, entrou em liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central em novembro de 2025, no contexto do escândalo investigado pela Operação Compliance Zero.
Recuperação do valor
Apesar da investigação, o IMPCG conseguiu recuperar, em março de 2026, os R$ 1,2 milhão investidos. O município ajuizou ação de compensação de créditos com pedido de urgência e obteve decisão favorável para depósito judicial do valor atualizado. A recuperação, contudo, não impede a apuração das circunstâncias e procedimentos adotados na aplicação. Outros municípios de Mato Grosso do Sul, como Jateí, Angélica e Fátima do Sul, também aplicaram recursos previdenciários no Banco Master. Em relatórios anteriores, o volume total investido por institutos sul-mato-grossenses chegou a ser estimado em cerca de R$ 9 a 10 milhões.
Perfil e nota oficial
Camilla Nascimento, presidiu o IMPCG de agosto de 2017 a 2024. Durante o período, foi membro do Conselho Nacional de Entidades de Saúde dos Servidores Públicos (CONESSP) e recebeu certificação da Secretaria de Previdência para atuar como dirigente de RPPS. Em nota, o IMPCG e a Prefeitura de Campo Grande afirmaram acompanhar as investigações e destacaram que o município foi um dos primeiros do país a garantir o ressarcimento dos valores, evitando prejuízo aos cofres públicos. Segundo a nota, as aplicações seguiram a Resolução CMN nº 4.963/2021 e a Política Anual de Investimentos aprovada pelo Conselho Deliberativo. O instituto afirmou prestar todos os esclarecimentos necessários. A Operação Presciência se insere no conjunto de desdobramentos do caso Banco Master, que envolve suspeitas de fraudes no sistema financeiro, gestão temerária e relações com agentes públicos em diversas esferas. A PF não divulgou a lista completa de investigados nesta fase.