Bonito investe R$ 342 mil da taxa ambiental para modernizar área de resíduos

Reforma do Transbordo de Resíduos Sólidos Urbanos foi entregue nesta terça (25) e cumpre exigência do Ministério Público firmada em TAC com o município.

Por

Divulgação

A Prefeitura de Bonito concluiu nesta terça-feira, 26 de agosto de 2026, a reforma e reestruturação da área de Transbordo de Resíduos Sólidos Urbanos do município. O investimento foi de R$ 342.410,80, bancados integralmente com recursos da Taxa de Conservação Ambiental (TCA) — o tributo pago por turistas e operadoras que movimentam a economia de Bonito e que agora financia diretamente a infraestrutura de saneamento da cidade.

A obra não foi iniciativa espontânea da gestão municipal: Bonito assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público que obriga a adequação da gestão de resíduos sólidos ao padrão exigido pela legislação federal. A entrega desta semana representa um passo concreto no cumprimento desse acordo, que estabelece prazos e metas para regularizar o manejo de lixo no destino turístico mais famoso de Mato Grosso do Sul.

O que mudou na estrutura do Transbordo

O Transbordo funciona como um ponto intermediário no ciclo do lixo urbano: é onde os resíduos coletados nas ruas chegam antes de seguir para o transporte final e para a destinação correta. Sem uma estrutura adequada, esse espaço vira gargalo — e gargalo em Bonito representa risco direto para rios, nascentes e a fauna que sustentam o turismo local. As obras priorizaram a organização do fluxo operacional, melhores condições de armazenamento temporário e segurança para as equipes que trabalham no local diariamente.

A reforma também permite rastrear com mais precisão o volume e o tipo de resíduo que passa pelo espaço, facilitando o controle de cada etapa — da coleta às ruas até a destinação final. Esse tipo de monitoramento é exigido pela Lei Federal nº 12.305/2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que estabelece a hierarquia: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento e, só por último, a disposição final dos rejeitos.

TCA financia conservação ambiental além das trilhas

O uso da Taxa de Conservação Ambiental para custear a obra chama atenção pelo simbolismo: é o próprio turismo pagando pela preservação que o sustenta. A TCA é cobrada por operadoras e estabelecimentos que exploram os atrativos naturais de Bonito e compõe um fundo destinado à conservação do patrimônio ambiental do município. Aplicar esses recursos na modernização do sistema de resíduos é coerente com a lógica — lixo mal gerido contamina aquíferos, degrada rios cristalinos e compromete exatamente o que atrai visitantes do Brasil e do mundo.

A secretaria municipal de Meio Ambiente coordenou as obras e aponta que a melhoria do Transbordo integra um conjunto de ações mais amplas: ampliação da coleta seletiva, logística de transporte aprimorada, educação ambiental e novos mecanismos de monitoramento. A participação de empresas, comércios e moradores na separação correta dos resíduos é apontada como parte indispensável para que a cadeia funcione do começo ao fim.

Resíduos sólidos e turismo: o nó ambiental de Bonito

Em nenhum outro município de Mato Grosso do Sul a gestão de resíduos sólidos tem consequência tão direta sobre a economia quanto em Bonito. A cidade recebe centenas de milhares de visitantes por ano e boa parte do seu apelo está na transparência literal da água dos rios — resultado de décadas de cuidado com solo, vegetação ciliar e descarte adequado de resíduos. Qualquer falha nessa cadeia não é apenas um problema ambiental; é uma ameaça ao principal produto de exportação do município.

Com a entrega da obra, Bonito avança no cumprimento do TAC e sinaliza ao Ministério Público que a adequação do sistema municipal de lixo está em curso. Os próximos passos, segundo a prefeitura, envolvem ampliar as etapas anteriores ao Transbordo — especialmente a coleta seletiva nos bairros e nos atrativos turísticos — para reduzir o volume de resíduos que chegam ao ponto de armazenamento temporário sem triagem. A meta, alinhada à lei federal, é que cada vez menos material chegue ao descarte final sem ter passado por alguma forma de reaproveitamento.

Fontes: PREFEITURA MUNICIPAL DE BONITO