Ação conjunta destrói 145 hectares de maconha na fronteira com MS
Operação Nova Aliança entre Brasil e Paraguai erradicou plantações em reservas ambientais e causou prejuízo estimado em R$ 390 milhões ao tráfico.
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A Polícia Federal brasileira e a Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) do Paraguai desferiram um novo golpe contra o tráfico de drogas na fronteira com Mato Grosso do Sul: a 57ª edição da Operação Nova Aliança destruiu 145 hectares de plantações de maconha dentro de duas reservas naturais paraguaias, erradicando o equivalente a pelo menos 435 toneladas da droga pronta para o consumo. As ações, em curso nesta semana, concentraram-se nas reservas do Bosque Mbaracayú e Morombí, nos departamentos paraguaios de Canindeyú e Caaguazú, na linha de fronteira com o estado sul-mato-grossense.
Considerada a maior operação permanente de erradicação de cultivos de entorpecentes do mundo, a Nova Aliança acumula décadas de edições consecutivas — e esta rodada é emblemática não só pelo volume destruído, mas pelo local escolhido pelos traficantes: o interior de áreas protegidas por lei ambiental. Organizações criminosas desmataram trechos das reservas para esconder as plantações sob cobertura vegetal densa, dificultando a detecção e o acesso das equipes terrestres.
Acampamentos desmantelados e droga incinerada ainda no campoNos primeiros dias da operação, as equipes combinadas identificaram e destruíram 24 acampamentos e centros de processamento montados pelos traficantes dentro das reservas. Além de cortar e queimar os pés de maconha em fase de crescimento, os agentes localizaram volumes da droga já picada e colocada para secar ao sol — material que também foi incinerado no local. A Senad contabilizou ainda 1.170 quilos de maconha pronta para consumo apreendidos e destruídos durante as ações.
O apoio aéreo foi decisivo para alcançar áreas de difícil acesso: helicópteros da Polícia Federal e da Força Aérea do Paraguai transportaram equipes terrestres e sobrevoaram as reservas para localizar os cultivos camuflados. A combinação de inteligência compartilhada entre os dois países e a mobilização de aeronaves tornou possível o alcance de zonas que permaneceriam praticamente intocáveis por via terrestre.
Prejuízo ao tráfico passa de R$ 390 milhõesA Senad estimou em US$ 65 milhões — cerca de R$ 390 milhões na cotação atual — o prejuízo causado às organizações criminosas que controlam a produção e distribuição da droga na faixa de fronteira. O valor leva em conta tanto a produção destruída em campo quanto a infraestrutura de acampamentos e secagem desmontada pelas equipes. A operação segue ao longo desta semana, com novas incursões previstas nas mesmas áreas de preservação.
Para as forças de segurança dos dois países, o dado mais preocupante não é o volume da droga em si, mas a estratégia de usar reservas naturais como escudo. Ao desmatar e plantar dentro de áreas protegidas, o tráfico combina crime ambiental com produção de entorpecentes — dificultando fiscalização, retardando a resposta policial e causando dano duplo: ambiental e social.
Fronteira de MS no centro da rota do tráfico internacionalMato Grosso do Sul compartilha centenas de quilômetros de fronteira seca com o Paraguai, especialmente na região de Ponta Porã e Mundo Novo, e historicamente é um dos principais corredores de entrada da maconha paraguaia no Brasil. A droga produzida nos departamentos de Canindeyú e Caaguazú — alvo direto desta edição da Nova Aliança — frequentemente cruza a fronteira em direção ao interior do estado e segue para outras regiões do país.
A parceria entre a Polícia Federal e a Senad na Nova Aliança é avaliada como um dos mecanismos mais eficazes de contenção desse fluxo. A cada edição destruída em solo paraguaio representa toneladas a menos de droga circulando nas cidades sul-mato-grossenses — um impacto direto na segurança pública de municípios como Dourados, Naviraí e Campo Grande, que figuram entre os principais destinos internos da maconha que cruza essa fronteira.
Fontes: SENAD PARAGUAI, POLÍCIA FEDERAL