Pontes de madeira no Pantanal Sul ganham R$ 3,1 mi para manutenção por mais um ano

Agesul renova contrato com a Construtora Buriti para conservação de estruturas em rodovias não pavimentadas na região de Jardim, a 236 km de Campo Grande.

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A Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul-MS) renovou, por mais 12 meses, o contrato de R$ 3.105.060,58 destinado à manutenção de pontes de madeira em rodovias sem pavimentação na região de Jardim, município localizado a 236 quilômetros de Campo Grande. O acordo, publicado no Diário Oficial do Estado desta quarta-feira (19 de agosto de 2026), vigorará de 23 de agosto de 2026 até 22 de agosto de 2027, podendo ser encerrado antes caso uma nova licitação seja concluída.

A contratada é a Construtora Buriti Ltda., empresa que já executava os serviços anteriormente. A renovação evita uma interrupção dos trabalhos de conservação em estradas de chão que servem a comunidades rurais, pequenos produtores e moradores da região sudoeste do estado — onde a ausência de asfalto torna a integridade das pontes de madeira essencial para o escoamento da produção e o acesso básico das populações.

Por que pontes de madeira ainda são estratégicas no interior de MS

Mato Grosso do Sul possui uma extensa malha viária não pavimentada que interliga fazendas, assentamentos e pequenas cidades às rodovias principais. Nesse cenário, as pontes de madeira cumprem papel logístico insubstituível: são mais baratas de construir e manter do que estruturas de concreto armado em regiões com baixo volume de tráfego, mas exigem manutenção contínua para resistir às enchentes, à umidade e ao peso de carretas agrícolas. Sem serviços regulares de conservação, uma única ponte comprometida pode cortar o acesso de comunidades inteiras por semanas durante o período chuvoso.

A região de Jardim concentra estradas vicinais que dão acesso ao Parque Nacional da Serra da Bodoquena e conectam produtores rurais ao mercado, tornando a manutenção dessas estruturas especialmente sensível tanto do ponto de vista econômico quanto do turístico, já que o circuito inclui destinos próximos como Bonito, referência nacional do ecoturismo.

Contrato assinado e prazo definido

O documento foi firmado pelo ordenador de despesas da Agesul-MS, Gil Marcio Franco, e pelo representante da Construtora Buriti, Júlio César Stiirmer. O prazo máximo do contrato é de um ano, mas a Agesul deixou aberta a possibilidade de encerramento antecipado caso um novo processo licitatório seja concluído antes de agosto de 2027 — o que indica que a agência deve lançar nova concorrência pública para os serviços ainda dentro desse período.

O valor de R$ 3,1 milhões cobre o conjunto de atividades de conservação rotineira: inspeção das estruturas, substituição de tábuas e vigas danificadas, reforço de pilares e proteção contra erosão nas cabeceiras das pontes. A execução contínua desses serviços é o que garante que as vias permaneçam transitáveis durante todo o ano, incluindo os meses de maior índice pluviométrico na região Centro-Oeste.

Impacto para o agronegócio e as comunidades rurais de Jardim

A microrregião de Jardim abriga produção pecuária, agricultura familiar e um fluxo crescente de turistas que se deslocam por estradas vicinais em direção a atrações naturais. Para os produtores rurais, uma ponte em más condições representa atraso no escoamento da safra, aumento de frete e, em casos extremos, isolamento total da propriedade. A renovação do contrato, portanto, não é uma formalidade burocrática: é o que mantém a cadeia logística da região funcionando enquanto obras de pavimentação de maior porte não chegam a essas estradas.

O contrato integra uma política mais ampla da Agesul de conservação preventiva da infraestrutura viária estadual, que prioriza manutenção contínua como forma de reduzir custos futuros com reconstrução. A lógica é simples: gastar R$ 3,1 milhões por ano em conservação sai significativamente mais barato do que reconstruir pontes colapsadas após temporadas de chuva intensa — um cenário que o Mato Grosso do Sul já enfrentou em diversas regiões nos últimos anos.

Fontes: AGESUL-MS, DIÁRIO OFICIAL DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL