R$ 7,2 mi e 40 voluntários: futuro parque da Cachoeira do Ceuzinho toma forma
Ação de limpeza reuniu moradores e empresas na Cachoeira do Ceuzinho em Campo Grande, onde a Prefeitura já assinou ordem de serviço para parque turístico de R$ 7,2 milhões.
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A Cachoeira do Ceuzinho, área natural encravada na Área de Proteção Ambiental do Córrego Ceroula, no bairro Ceuzinho em Campo Grande, foi palco neste sábado (22) de uma das maiores mobilizações ambientais voluntárias já realizadas no local: mais de 40 pessoas — moradores, guias de turismo, representantes de empresas e integrantes de movimentos ambientalistas — se reuniram para limpar as margens do córrego e as trilhas que levam à cachoeira, numa ação organizada pela empresa 262 Aventuras com apoio da Prefeitura de Campo Grande.
O encontro não foi casual. A mobilização acontece num momento em que o Município já homologou a Ordem de Início de Serviço para a implantação do Parque Turístico Municipal Cachoeiras do Ceuzinho, com investimento de R$ 7.295.079,81 e prazo de 540 dias para conclusão da primeira etapa. Em outras palavras, voluntários e poder público estão, literalmente, preparando o terreno para o que promete se tornar um dos principais destinos de turismo de natureza da Capital sul-mato-grossense.
De cinco funcionários a 40 voluntários: como a ação cresceuQuem acompanha a história da limpeza desde o início sabe que o ponto de partida foi bem mais modesto. "Há cerca de cinco anos, durante as trilhas, percebemos que os turistas se incomodavam com o lixo e decidimos fazer alguma coisa. Começamos com cinco, sete pessoas da nossa equipe, fazendo a limpeza por conta própria", contou Moisés de Melo Pinasso, sócio-proprietário da 262 Aventuras. Com o tempo, parceiros e empresas foram sendo incorporados à iniciativa, e o que era uma ação interna virou um evento de conscientização com dezenas de participantes.
A trajetória não foi linear. Cristiele do Amaral, também da 262 Aventuras, lembrou que nas primeiras edições a adesão era frustrante. "Na primeira vez foi um baque ver como as pessoas não se interessavam, porque a gente sempre divulgava e tinha baixa adesão. Hoje, quando a gente vê a proporção que isso tomou, aquece o coração", disse ela. A edição deste sábado contou ainda com a participação do movimento Instituto Lixo Zero Brasil – Juventude Lixo Zero, que há três anos contribui com a mobilização. "Essa consciência ambiental deve ir para o cidadão, independente da idade", defendeu Juselma Rocha, integrante da iniciativa.
Parque turístico: o que vem por aí no Córrego CeroulaPara além do mutirão de limpeza, o que move o entusiasmo dos envolvidos é a perspectiva concreta de transformação da área. O projeto do Parque Turístico Municipal prevê estrutura para caminhadas, contemplação da natureza e turismo pedagógico — tudo dentro dos limites da APA do Córrego Ceroula. Wantuyr Tartari, gerente de Turismo da Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável), foi direto ao ponto: "Essas ações despertam o interesse e um zelo maior do próprio morador pelo ambiente, porque é um patrimônio que vai ficar para nós, vai contribuir com o desenvolvimento local e econômico, através do aumento do fluxo turístico na nossa Capital".
A guia e condutora de turismo de aventura Vyvyann Mellanie Freire acrescentou que o Córrego Ceroula tem importância ambiental que vai além do lazer: "O Córrego Ceroula é muito importante e a gente precisa preservar. Hoje temos a possibilidade de transformar essa área em um espaço de contemplação da natureza, de turismo pedagógico, caminhada e cuidado". A ação deste sábado coincidiu com a véspera do aniversário de 127 anos de Campo Grande, o que deu ao encontro um simbolismo extra celebrado por vários participantes.
Campo Grande e o turismo de natureza como aposta econômicaA transformação da Cachoeira do Ceuzinho em parque municipal não é uma iniciativa isolada. Ela faz parte de um movimento mais amplo de Campo Grande para se posicionar no mapa do turismo de natureza — segmento que, em Mato Grosso do Sul, tem no Pantanal e em Bonito suas referências mais conhecidas, mas que a Capital tenta desenvolver com atrativos próprios. O Ceuzinho, até agora frequentado sobretudo por moradores do entorno, pode ganhar nova escala quando a infraestrutura do parque estiver pronta.
Eduardo Rafael de Souza Sandim, de 20 anos, resumiu com simplicidade o que talvez seja o argumento mais eficaz para convencer qualquer pessoa a participar de uma ação como essa: "Como é um ambiente de lazer, a gente tem que ter a consciência de que, se quer continuar sentindo o prazer de estar nesses ambientes, também tem que cuidar deles". Com R$ 7,2 milhões já empenhados e um calendário de voluntariado que só cresce, a Cachoeira do Ceuzinho caminha para deixar de ser um segredo bem guardado de Campo Grande.
Fontes: PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPO GRANDE, SEMADES