São Gabriel do Oeste colhe milho com até 177 sacas por hectare, duas vezes acima da média estadual

Levantamento do SIGA-MS aponta que a Região Norte lidera a colheita no estado, com 76,4% da área já concluída, enquanto MS acumula 11 milhões de toneladas estimadas na safrinha.

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São Gabriel do Oeste, no norte de Mato Grosso do Sul, registrou produtividade preliminar de até 177 sacas de milho por hectare na segunda safra 2025/2026 — mais do que o dobro da média estadual estimada em 84,2 sacas por hectare, segundo dados coletados até 14 de agosto pelo Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS com elaboração do Sistema Famasul.

O desempenho de São Gabriel do Oeste coloca o município entre os mais produtivos do estado nesta temporada e reforça o protagonismo da Região Norte no calendário da safrinha sul-mato-grossense. Com 84.471 hectares dedicados ao milho segunda safra, o município registrou produtividade mínima de 157 sacas por hectare — piso que já seria expressivo frente à média do estado. O resultado reflete boas condições climáticas acumuladas durante boa parte do ciclo, embora produtores da região acompanhem com cautela o risco de vendavais nas próximas semanas.

Três quartos da lavoura em condição boa, mas há alerta no horizonte

A avaliação das condições das lavouras em São Gabriel do Oeste revelou que 68% da área foi classificada como boa, 26% como regular e 6% como ruim. O levantamento do SIGA-MS destaca que a maioria das lavouras da Região Norte apresenta boas condições, mas alerta para a possibilidade de vendavais durante o restante do ciclo produtivo — fenômeno que pode comprometer grãos ainda em fase de enchimento ou secagem em campo.

O avanço da colheita também é destaque: a Região Norte chegou a 76,4% da área colhida até 14 de agosto, liderando sobre as regiões Centro (64,9%) e Sul (61,6%). Além de São Gabriel do Oeste, o monitoramento do SIGA-MS acompanha municípios como Sonora, Pedro Gomes, Coxim, Camapuã, Corguinho, Rio Verde de Mato Grosso, Bandeirantes, Rio Negro, Rochedo e Jaraguari.

MS colhe mais devagar que no ano passado, mas volume total impressiona

No conjunto estadual, a colheita da safrinha 2025/2026 atingiu 63,9% da área monitorada pelo SIGA-MS — um ritmo 2,9 pontos percentuais abaixo do registrado no mesmo período da temporada anterior. O atraso não é dramático, mas chama atenção em um estado que ocupa posição estratégica na produção nacional de milho verão tardio.

A área total plantada com milho segunda safra em Mato Grosso do Sul soma 2,206 milhões de hectares, com produção estimada em 11,139 milhões de toneladas. O volume coloca o estado entre os maiores produtores nacionais da safrinha e aquece o calendário de comercialização de corretoras e tradings instaladas em cidades como Dourados, Naviraí e a própria São Gabriel do Oeste.

Milho compete com soja por área — e perde terreno para pastagem

Os dados do SIGA-MS revelam ainda uma dinâmica estrutural importante: a área de milho segunda safra equivale a aproximadamente 46% da área destinada à soja no estado — uma proporção que vem sendo moldada, em grande parte, pelas janelas de plantio definidas pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC). Com restrições mais rígidas ao plantio tardio, parte dos produtores tem optado por culturas alternativas na segunda safra, como sorgo, milheto e pastagens de renovação, em vez de manter o milho em áreas com maior risco climático.

A tendência, observada ao longo das últimas safras, reflete um processo de adequação técnica do produtor sul-mato-grossense às exigências de seguro rural e crédito agrícola — que, cada vez mais, condicionam o financiamento ao cumprimento do ZARC. Para São Gabriel do Oeste, no entanto, a janela produtiva segue favorável: a produtividade de quase 180 sacas por hectare é o tipo de resultado que mantém o milho como opção rentável mesmo diante da concorrência das culturas de cobertura.

Fontes: APROSOJA/MS, SISTEMA FAMASUL, SIGA-MS