Soja dos EUA caminha para recorde histórico e pressiona preços que MS acompanha de perto
Levantamento do Pro Farmer Crop Tour 2026 aponta produtividade recorde da soja americana e milho abaixo do USDA, afetando as cotações que guiam o agronegócio sul-mato-grossense.
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O maior levantamento independente de safra dos Estados Unidos encerrou nesta quinta-feira (20) com uma conclusão que vai movimentar as cotações internacionais das commodities e, por consequência, as decisões de produtores em Mato Grosso do Sul: a soja americana está a caminho de um recorde histórico de produtividade, enquanto o milho decepcionou e deve forçar o USDA a rever suas projeções para baixo em setembro. O Pro Farmer Crop Tour 2026, que reuniu 1.569 amostras em campo ao longo de quatro dias em sete estados produtores, é a referência mais respeitada do mercado justamente porque vai às lavouras — e não depende apenas da percepção dos agricultores.
Para quem planta soja em Maracaju, Dourados ou Chapadão do Sul, os números americanos não são curiosidade acadêmica: eles influenciam diretamente o preço recebido na hora de vender o grão. Uma safra recorde nos EUA amplia a oferta global e tende a pressionar as cotações na Bolsa de Chicago (CBOT), referência usada nos contratos firmados pelo agronegócio de MS. O momento é delicado: o produtor sul-mato-grossense está na fase de planejamento e contratação de insumos para a safra 2026/2027, e o cenário externo pesa nas contas.
Soja americana surpreende e mira produção históricaO Pro Farmer estimou produtividade média da soja americana em 59,74 sacas por hectare (53,3 bushels por acre), com produção total projetada em 124,43 milhões de toneladas. Se confirmado, o número superaria qualquer safra já registrada nos EUA. O próprio USDA, que ainda projeta 123,01 milhões de toneladas (produtividade de 59,06 scs/ha), ficaria para trás. "Não durmam sobre a soja", alertou Chip Flory, líder da etapa Oeste do Crop Tour, sinalizando que o mercado ainda pode estar subestimando o potencial da oleaginosa nesta temporada.
Segundo Flory, as lavouras visitadas pelos técnicos apresentaram quantidade adequada de vagens e umidade suficiente para completar o enchimento dos grãos — desde que as condições climáticas sigam favoráveis até a colheita. O alerta é válido: qualquer veranico nas próximas semanas pode alterar o quadro, mas por ora o tom é de otimismo cuidadoso.
Milho americano abaixo do esperado abre espaço para o BrasilO cenário do milho é diferente. O Pro Farmer calculou produtividade média de 181,18 sacas por hectare (173,2 bushels por acre), bem abaixo das 189,02 scs/ha (180,7 bu/acre) que o USDA havia projetado em agosto. Em termos de volume, a diferença chega a 16,99 milhões de toneladas: enquanto o tour aponta 389,76 milhões de toneladas, o Departamento de Agricultura americano havia estimado 406,75 milhões de toneladas.
Os técnicos explicam o resultado pela combinação de frio logo após a emergência das plantas e excesso de chuvas em junho em regiões críticas do cinturão produtor. "Quando você vai a campo e começa a contar as espigas e medir os grãos, a lavoura simplesmente não está onde precisa estar", afirmou Lane Akre, um dos líderes do Pro Farmer Crop Tour. Ele espera que o USDA ajuste seus números no relatório de setembro. Para o Brasil — e para MS, segundo maior produtor nacional de milho safrinha — uma safra americana menor pode sustentar preços do cereal em patamares mais interessantes, compensando parcialmente a pressão baixista da soja abundante.
O que os números americanos significam para o agro de MSMato Grosso do Sul colheu na safra 2025/2026 cerca de 12 milhões de toneladas de soja e mais de 9 milhões de toneladas de milho, segundo dados da Aprosoja MS e da Conab. O estado é um dos grandes exportadores nacionais dos dois grãos, e qualquer movimento nas cotações internacionais repercute diretamente no caixa dos produtores de Dourados, Naviraí, Chapadão do Sul e Ponta Porã.
Na prática, o cenário traçado pelo Pro Farmer traz uma equação ambígua para o produtor sul-mato-grossense: a perspectiva de soja recorde nos EUA tende a pressionar os preços da oleaginosa — ruim para quem vende, mas potencialmente favorável para quem ainda vai comprar insumos cotados em dólar. Já a frustração do milho americano abre espaço para preços mais firmes do cereal, beneficiando quem produz a safrinha em MS. O quadro definitivo depende da confirmação da colheita americana nas próximas semanas e da resposta do USDA em setembro, quando novos relatórios oficiais devem incorporar os dados coletados em campo pelo Crop Tour.
Para o produtor que ainda não travou preços da próxima safra, o recado do mercado é de atenção redobrada: a soja pode dar menos que o esperado em Chicago, enquanto o milho pode dar um pouco mais — e as decisões tomadas agora, em plena janela de planejamento, vão definir a rentabilidade de 2027.
Fontes: PRO FARMER CROP TOUR, USDA