30 mortos e 114 grávidas infectadas: chikungunya avança em MS em 2026
Estado soma mais de 10 mil casos confirmados da doença, com óbitos registrados em Dourados, Bonito, Corumbá e outras sete cidades; dengue também preocupa
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Mato Grosso do Sul chegou a 30 mortes confirmadas por chikungunya em 2026 e ultrapassou a marca de 10 mil diagnósticos confirmados da doença, segundo o boletim epidemiológico da 32ª semana divulgado nesta quarta-feira, 19 de agosto, pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS). O levantamento aponta ainda 12.663 casos prováveis no total, além de um óbito que ainda está sendo investigado para confirmar ou descartar relação com a arbovirose.
O cenário é grave e distribuído por todo o estado. O número de mortes já colocou MS entre os casos mais sérios de chikungunya do país neste ano, e o boletim da SES deixa claro que os dados são parciais — atualizações são esperadas conforme o andamento das investigações epidemiológicas. Ou seja, o quadro real pode ser ainda mais amplo do que o registrado até agora.
Óbitos em dez cidades diferentes do estadoAs 30 mortes confirmadas estão espalhadas por municípios de perfis distintos: Dourados, Bonito, Jardim, Fátima do Sul, Douradina, Guia Lopes da Laguna, Itaporã, Ponta Porã, Nioaque e Corumbá. A abrangência geográfica revela que a doença não está concentrada em uma única região, mas circula de forma simultânea no Cone Sul, no Pantanal e na faixa de fronteira com o Paraguai e a Bolívia. Um óbito adicional aguarda conclusão da investigação.
Outro dado que chama a atenção é o impacto sobre gestantes: 114 mulheres grávidas tiveram diagnóstico confirmado de chikungunya no estado até o período analisado. A infecção durante a gestação exige acompanhamento médico redobrado, já que pode trazer complicações tanto para a mãe quanto para o bebê, e a presença de mais de cem casos entre esse grupo específico reforça a dimensão do surto em curso.
Dengue também segue sob vigilância em MSAlém da chikungunya, a dengue permanece no radar das autoridades de saúde. O estado acumula 4.667 casos prováveis da doença em 2026, com 1.978 confirmações e uma morte confirmada — a vítima era moradora de Bonito. Outros dois óbitos por dengue ainda estão sendo investigados.
No intervalo das duas últimas semanas contempladas pelo boletim, municípios como Inocência, Santa Rita do Pardo, Sidrolândia, Amambai, Jardim, Itaporã, Paranhos, Maracaju, Nova Alvorada do Sul, Bataguassu, Bonito, Coxim, Três Lagoas e Dourados registraram baixa incidência de casos confirmados de dengue. A SES ressalta, no entanto, que essa classificação reflete apenas aquele intervalo específico e não significa que o vírus deixou de circular nas cidades — o controle do mosquito transmissor continua sendo necessário em todo o território estadual.
Prevenção segue sendo a principal arma contra o AedesChikungunya e dengue têm em comum o mosquito Aedes aegypti como transmissor, o que faz da eliminação de criadouros a estratégia central de contenção das duas doenças ao mesmo tempo. O Ministério da Saúde orienta que qualquer recipiente capaz de acumular água parada — vasos, garrafas, pneus, calhas e pequenos objetos deixados ao ar livre — seja inspecionado e esvaziado regularmente. Reservatórios de água devem ser mantidos tampados.
Quem apresentar sintomas como febre alta de início súbito, dores nas articulações, manchas vermelhas na pele ou dores musculares intensas deve procurar atendimento médico sem demora. O Ministério da Saúde alerta que a automedicação, especialmente com anti-inflamatórios não recomendados, pode mascarar o quadro clínico e trazer riscos adicionais ao paciente. Em Mato Grosso do Sul, as unidades básicas de saúde e as UPAs são os pontos de primeira escuta para suspeitas das duas arboviroses.
Com mortes confirmadas em dez municípios e uma doença que ainda está em curso, o desafio para a saúde pública sul-mato-grossense vai além do tratamento individual: é conter a proliferação do mosquito antes que o número de casos e óbitos cresça ainda mais até o fim do período epidemiológico.
Fontes: SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE MATO GROSSO DO SUL, MINISTÉRIO DA SAÚDE