Após bloqueios indígenas na pista, MS-162 entre Sidrolândia e Quebra Coco ganha obra de R$ 9 mi

Agesul assina contrato com a Transenge para recuperar 18 km do asfalto entre o km 67 e o km 85 da rodovia, com prazo de seis meses para execução.

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A Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) assinou contrato no valor de R$ 9.087.304,85 para recuperar 18 quilômetros da MS-162, no trecho que liga o fim do perímetro urbano de Sidrolândia ao distrito de Quebra Coco — uma rodovia que acumulou protestos, bloqueios e cobrança política por anos antes de finalmente ter obra contratada. O extrato foi publicado no Diário Oficial do Estado na quinta-feira (20), e a empresa responsável pelos serviços será a Transenge Engenharia e Construções Ltda.

A pressão pela recuperação da MS-162 não veio só de ofícios e requerimentos. Ao menos três bloqueios realizados por comunidades indígenas da região tiveram a melhoria das condições de tráfego como uma das principais reivindicações. O deputado estadual Gerson Claro também cobrava intervenção no trecho de forma recorrente. O novo contrato responde, ao menos formalmente, a essa demanda acumulada.

O que a obra prevê — e o que ela não é

Os serviços abrangem o trecho entre os quilômetros 67 e 85 da rodovia e consistem na recomposição funcional do revestimento asfáltico, com recuperação e melhorias no pavimento já existente. Não se trata, portanto, de uma nova rodovia nem de pavimentação em área sem asfalto — a intervenção é de manutenção estrutural de uma pista que se deteriorou ao longo do tempo e passou a oferecer risco aos motoristas.

Os serviços integram o Programa-Piloto PRO REVEST, iniciativa da Agesul voltada à recomposição de pavimentos estaduais. A contratação foi feita por meio da Concorrência Eletrônica nº 082/2026-DLO, com resultado homologado em 14 de agosto e contrato assinado em 18 de agosto.

Prazo de seis meses — mas o relógio ainda não começou

O contrato estabelece 180 dias consecutivos para execução, o equivalente a seis meses. O detalhe importante: esse prazo não começa a contar com a publicação do extrato no Diário Oficial. A contagem só tem início a partir do recebimento da OIS (Ordem de Início dos Serviços) pela Transenge. Enquanto esse documento não for emitido e recebido pela empresa, a obra ainda não está, na prática, em andamento.

Em caso de descumprimento do cronograma físico-financeiro aprovado, o contrato prevê multas, penalidades e até rescisão. O valor global é de R$ 9,08 milhões, embora o extrato registre, neste momento, uma nota de empenho inicial de R$ 889,8 mil — parcela reservada no orçamento corrente, sem redução do montante total contratado. A vigência do contrato se estende por até 120 dias após o término do prazo de execução.

MS-162: uma rodovia em obras desde o começo do ano

Esta não é a primeira frente de trabalho na MS-162 em 2025. Em fevereiro, a Agesul já havia iniciado serviços em outros 12 quilômetros da mesma rodovia, também na região de Sidrolândia. Com o novo contrato, mais 18 quilômetros passam a ter intervenção formalmente garantida, totalizando 30 km da rodovia com obras previstas ou em andamento ao longo do ano.

Para os moradores de Sidrolândia e do distrito de Quebra Coco — e para as comunidades indígenas que mais de uma vez interromperam o trânsito na pista para exigir atenção —, o contrato representa um avanço concreto. Mas o início efetivo dos serviços ainda depende da emissão da ordem de início, etapa que definirá quando, de fato, as máquinas chegam ao trecho.

Fontes: AGESUL, DIÁRIO OFICIAL DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL