Canal 27 pode levar TV aberta a Santa Rita do Pardo e Bodoquena pela primeira vez

Ministério das Comunicações autorizou a Televisão Cidade Modelo a retransmitir sinal nos dois municípios sul-mato-grossenses, mas transmissão ainda depende de aval da Anatel.

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Canal 27 pode levar TV aberta a Santa Rita do Pardo e Bodoquena pela primeira vez
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O Ministério das Comunicações publicou, nesta segunda-feira (17 de agosto), duas autorizações que abrem caminho para que moradores de Santa Rita do Pardo e Bodoquena passem a receber o sinal da Televisão Cidade Modelo pelo canal 27. As portarias integram uma política federal de expansão da cobertura de TV aberta em localidades onde o acesso ao sinal é inexistente ou precário — situação que ainda atinge dezenas de municípios menores em Mato Grosso do Sul.

A iniciativa responde a uma demanda histórica de municípios afastados dos grandes centros sul-mato-grossenses. Santa Rita do Pardo, no Bolsão, e Bodoquena, na região do Pantanal próxima a Bonito, são cidades com população relativamente pequena e infraestrutura de telecomunicações que, historicamente, ficou para trás em comparação às capitais e municípios maiores do estado.

O que a autorização garante — e o que ainda falta

A publicação no Diário Oficial representa apenas o primeiro passo burocrático do processo. A Televisão Cidade Modelo foi formalmente habilitada a retransmitir sua grade de programação nas duas cidades pelo canal 27, mas o sinal não chegará às antenas domésticas de imediato. Antes de ativar os equipamentos de transmissão, a emissora precisa solicitar e obter junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) a liberação técnica para o funcionamento das antenas — etapa que envolve análise de interferências e conformidade com as normas do setor.

No setor de radiodifusão, esse tipo de autorização de retransmissão permite que uma emissora leve sua programação original a municípios fora de sua área de cobertura primária. As permissões podem variar quanto ao nível de proteção contra interferências de sinal, conforme as condições técnicas de cada localidade. Em regiões com topografia irregular ou distantes de centros emissores — como é o caso de Bodoquena, cercada por serras e vales — esse processo costuma exigir estudos mais detalhados de propagação do sinal.

Municípios com realidades distintas, mesma carência

Santa Rita do Pardo, com cerca de 8 mil habitantes, está localizada na bacia do Rio Pardo, no extremo leste do estado, e integra uma microrregião onde a oferta de serviços de comunicação sempre foi limitada pela distância dos grandes polos urbanos. Já Bodoquena, com pouco mais de 8,5 mil moradores, é porta de entrada para o Parque Nacional da Serra da Bodoquena e recebe fluxo turístico considerável por sua proximidade com Bonito — o que torna a melhora na infraestrutura de comunicação ainda mais relevante para a economia local, especialmente para o setor de hospedagem e serviços voltados ao turismo.

Para ambas as cidades, a chegada de um novo canal de TV aberta representa não apenas entretenimento, mas também acesso a informação de utilidade pública — desde alertas de emergência climática até cobertura jornalística regional —, serviço que em muitas localidades interioranas ainda depende exclusivamente do rádio ou de conexões de internet instáveis.

Próximos passos e perspectiva para o interior de MS

O calendário para que o sinal de fato chegue às casas dos moradores dependerá da agilidade da Televisão Cidade Modelo em protocolar o pedido junto à Anatel e do tempo de análise do órgão regulador. Não há prazo oficial divulgado. O processo pode levar semanas ou meses, a depender das exigências técnicas identificadas durante a avaliação.

O caso de Santa Rita do Pardo e Bodoquena ilustra um desafio mais amplo enfrentado pelo interior sul-mato-grossense: Mato Grosso do Sul tem 79 municípios, e uma parcela significativa deles ainda convive com cobertura de radiodifusão considerada insuficiente pelos critérios federais. A política de ampliação de retransmissão do Ministério das Comunicações tem publicado autorizações desse tipo com certa regularidade, mas a velocidade com que as emissoras concluem o processo junto à Anatel determina, na prática, quando a população deixa de esperar e passa a assistir.

Fontes: MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES, ANATEL


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