Discord suspende transmissões de vídeo e compartilhamento de tela no Brasil
Plataforma mantém mensagens, servidores e chamadas de áudio, mas desativa recursos de vídeo enquanto busca atender exigências de segurança
O Discord suspendeu no Brasil as funcionalidades de transmissão ao vivo, compartilhamento de tela e chamadas de vídeo após determinação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). A medida entrou em vigor nesta segunda-feira (17) e foi confirmada pela própria empresa, que informou estar cumprindo a decisão enquanto trabalha para adequar a plataforma às exigências das autoridades brasileiras.
Segundo a ANPD, a suspensão ocorre após a identificação de falhas relacionadas à proteção de crianças e adolescentes na plataforma. A agência havia concedido prazo de três dias úteis para que a empresa apresentasse medidas de segurança consideradas suficientes para reduzir riscos envolvendo esse público.
Apesar da restrição, o Discord continua funcionando normalmente para a maioria dos usuários. Permanecem ativos os recursos de mensagens diretas, mensagens em grupo, servidores de qualquer tamanho, canais de voz e chamadas exclusivamente de áudio, amplamente utilizados por comunidades de jogadores, estudantes e grupos profissionais.
A empresa informou que apenas as funcionalidades ligadas ao vídeo e ao compartilhamento de tela foram desativadas temporariamente no país. Em comunicado enviado aos usuários brasileiros, o Discord afirmou que está dialogando com a ANPD para restabelecer os recursos o mais rápido possível.
A investigação foi aberta após a morte de uma adolescente de 13 anos que teria transmitido o próprio suicídio ao vivo dentro da plataforma. O caso levou a ANPD a apurar os mecanismos de segurança do serviço e a capacidade de monitoramento de conteúdos compartilhados em transmissões em tempo real.
De acordo com a agência, existem indícios de que a empresa não adotou medidas suficientes para prevenir a exposição de crianças e adolescentes a conteúdos considerados nocivos, incluindo práticas relacionadas à violência, automutilação e incentivo ao suicídio. A ANPD também apontou dificuldades técnicas para rastrear e monitorar transmissões ao vivo na plataforma.
Dados citados pela agência mostram que as denúncias envolvendo o Discord cresceram 54% nos sete primeiros meses de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, passando de 264 para 406 notificações registradas.
Em nota, o Discord afirmou ter removido um servidor privado relacionado ao caso antes da morte da adolescente e reforçou que colabora com as autoridades para identificar e responsabilizar usuários envolvidos em atividades criminosas. A empresa também destacou que o servidor investigado funcionava por convite e não podia ser encontrado livremente por outros usuários.
A ANPD informou que a investigação continua em andamento e que novas medidas poderão ser adotadas, incluindo sanções administrativas e multas que podem chegar a R$ 50 milhões por infração, dependendo das conclusões do processo.