Pacientes de hemodiálise de Bonito ganham cobertores para enfrentar viagens a Campo Grande

CRAS de Bonito distribuiu dois cobertores por paciente a quem faz tratamento renal e precisa se deslocar semanalmente até a capital sul-mato-grossense.

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A Secretaria de Assistência Social de Bonito, por meio do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), distribuiu cobertores na última sexta-feira, 14 de agosto, a moradores do município que realizam hemodiálise e precisam viajar regularmente até Campo Grande para o tratamento. Cada paciente recebeu dois cobertores, num gesto que reconhece a dureza de uma rotina que poucos imaginam: acordar de madrugada, percorrer cerca de 290 quilômetros entre ida e volta, e ainda se submeter a sessões longas de filtragem do sangue — tudo isso semanas a fio.

A situação enfrentada por esses pacientes é comum em municípios do interior sul-mato-grossense que não dispõem de clínicas de hemodiálise próprias. Bonito, apesar de ser referência nacional em turismo de natureza, ainda depende de Campo Grande para procedimentos de alta complexidade como esse. O deslocamento constante impõe desgaste físico e financeiro às famílias, tornando iniciativas de suporte — mesmo que pontuais — parte importante da rede de cuidado.

Cobertores como parte do cuidado em trânsito

A ação partiu do diagnóstico de que pacientes em hemodiálise enfrentam queda brusca de temperatura corporal durante as sessões — um efeito colateral conhecido do procedimento, que remove e reinsere o sangue pelo circuito externo da máquina. Ao retornar para Bonito após o tratamento, especialmente nos meses de inverno, esses pacientes chegam fisicamente fragilizados. O cobertor, nesse contexto, não é um item supérfluo: é parte do conforto necessário para que a viagem de volta seja menos penosa.

A entrega foi organizada pelo CRAS, equipamento público que, além do acompanhamento social das famílias vulneráveis, atua no mapeamento de demandas específicas como essa. A iniciativa reforça o papel do serviço como ponto de escuta ativa dentro da comunidade, indo além do atendimento burocrático para identificar necessidades concretas do cotidiano das pessoas acompanhadas.

A dependência do interior por serviços em Campo Grande

O caso de Bonito ilustra uma realidade estrutural de Mato Grosso do Sul: municípios com menos de 25 mil habitantes raramente dispõem de serviços de nefrologia, o que obriga pacientes renais crônicos a manter uma relação permanente com a capital. Três sessões de hemodiálise por semana é o protocolo mais comum — o que significa que um único paciente pode acumular mais de 150 viagens por ano só para manter o tratamento em dia.

A ausência desses serviços no interior não é exclusividade de Bonito. Municípios como Porto Murtinho, Bodoquena e Anastácio, também na região do Pantanal, vivem cenário semelhante. A pressão sobre o transporte de saúde municipal e sobre as próprias famílias é constante, e ações como a distribuição de cobertores surgem, na prática, como respostas locais a uma lacuna que deveria ser resolvida em escala maior, com investimento em saúde especializada descentralizada.

Assistência social como rede de suporte ao paciente crônico

A articulação entre assistência social e saúde é um dos pilares do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), mas nem sempre se traduz em ações práticas. Em Bonito, a iniciativa do CRAS mostra que, quando os equipamentos funcionam de forma integrada, é possível identificar e atender necessidades que o sistema de saúde, por si só, não alcança — como o conforto durante o transporte ou o apoio emocional às famílias cuidadoras.

Para os pacientes beneficiados, a entrega representa mais do que o item recebido: é o reconhecimento, por parte do poder público municipal, de que a luta contra uma doença renal crônica não termina dentro da clínica. Ela continua nas estradas, nas esperas, nos retornos exaustivos. E cada detalhe que suavize esse caminho importa.

Fontes: PREFEITURA MUNICIPAL DE BONITO