Genética e linhagem definem preço do nelore pintado em MS
Raça ganha investidores em Mato Grosso do Sul, e especialista explica o que realmente determina o valor de um reprodutor antes da compra.
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O nelore pintado — nas variedades preta e vermelha — vive um ciclo de valorização expressiva no mercado pecuário de Mato Grosso do Sul, estado que responde por um dos maiores rebanhos bovinos do país. Criadores e investidores que atuam em feiras e leilões pelo estado têm registrado crescente interesse pela raça, impulsionado não apenas pela estética da pelagem, mas pelo histórico genético dos animais colocados à venda.
O movimento reflete uma tendência nacional que chega com força ao campo sul-mato-grossense: a busca por reprodutores com desempenho comprovado, ascendentes de referência e adaptabilidade às condições tropicais — características que o nelore, em todas as suas variantes, reúne com consistência histórica.
O que determina o valor de um reprodutor pintadoPara Victor Miranda, presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), a pelagem é apenas um dos últimos fatores na equação de valor. "Aspectos como conformação, características de raça e corporais são importantes indicadores de produtividade, desempenho e qualidade. Uma vez atendidos os requisitos de qualidade e os objetivos de seleção, outras características, como a pelagem ou o fato de o animal ser mocho ou chifrudo, podem influenciar a decisão de compra", explica.
O especialista é direto ao dizer que o preço de mercado é construído a partir de variáveis objetivas: linhagem familiar, histórico de ganho de peso, eficiência produtiva comprovada e a qualidade genética dos pais e avós do animal. "Um animal que possui um ascendente de referência certamente aumenta as expectativas de bons resultados produtivos, e assim tem seu valor de mercado aumentado", acrescenta Miranda.
Por que a raça atrai novos investidores no campoA procura pelo nelore pintado em MS acompanha um fenômeno mais amplo: recordes de preço quebrados em exposições e leilões, entrada de perfis de investidores que antes não atuavam na pecuária de seleção, e crescimento do interesse pelo nelore mocho como variante paralela. "Temos visto quebras de recordes, além de grande procura e aumento na entrada de investidores, tanto no nelore, nelore mocho e nelore pintado. O que explica o interesse da raça no geral é a sua eficiência genética, devido ao melhoramento genético que vem ocorrendo", observa o presidente da ACNB.
Para quem está iniciando na atividade em Mato Grosso do Sul, Miranda aponta que o nelore — independente de ser pintado, mocho ou de chifres — oferece uma combinação rara: adaptação ao calor intenso do Centro-Oeste, resistência a condições climáticas adversas e bom rendimento de carcaça. Isso torna a raça uma das apostas mais seguras para quem quer entrar no setor sem assumir riscos genéticos desnecessários.
O que avaliar na hora da compra em leilões e haras do MSCriadores sul-mato-grossenses que participam de exposições como a Expogrande e feiras regionais em Dourados, Naviraí e Três Lagoas costumam cruzar dois tipos de análise antes de fechar negócio: o DEP (Diferença Esperada na Progênie), que estima o potencial genético do animal para transmitir características aos filhos, e a avaliação fenotípica presencial, que considera musculatura, aplomb, casco e padrão racial.
A recomendação dos especialistas é clara: não comprar reprodutor nelore pintado com base apenas na aparência ou na cor da pelagem. O histórico genético dos ascendentes, o desempenho em testes de ganho de peso e a reputação da fazenda ou haras de origem são os pilares que sustentam — ou derrubam — o preço pedido no catálogo. Em MS, onde a pecuária de corte movimenta bilhões de reais por ano, essa distinção entre compra técnica e compra por impulso visual pode definir a rentabilidade de uma fazenda por décadas.
Fontes: ASSOCIAÇÃO DOS CRIADORES DE NELORE DO BRASIL (ACNB)