Três Lagoas registra 67 mil ovos do Aedes em sete meses e acelera vacinação

Comitê municipal reuniu setores de saúde para avaliar ações contra arboviroses; primeira dose da vacina contra dengue já superou a meta de 90%.

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O município de Três Lagoas contabilizou 67.938 ovos do Aedes aegypti capturados por ovitrampas instaladas em residências entre janeiro e julho deste ano — número que acende o alerta para o risco permanente de arboviroses mesmo fora do pico do verão. O dado foi apresentado na última quinta-feira, 13 de agosto, durante reunião do Comitê de Mobilização e Combate ao Aedes aegypti, convocado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para avaliar o andamento das ações de prevenção e controle no município.

O encontro reuniu representantes de múltiplos setores — Endemias, Entomologia, Vigilância Epidemiológica, Imunização e Promoção da Saúde — e revelou um retrato detalhado do esforço público empreendido no primeiro semestre. O volume de ovos identificado nas armadilhas confirma que o mosquito circula em diferentes pontos da cidade ao longo de todo o ano, pressionando as equipes a manterem a vigilância ativa mesmo nos meses mais frios.

Mais de 235 mil imóveis inspecionados em sete meses

As equipes de Endemias realizaram 235.449 inspeções em imóveis entre janeiro e julho, combinando tratamento focal, bloqueio de casos, monitoramento de pontos estratégicos, recolhimento de pneus e mutirões de limpeza. O acompanhamento de bueiros também integrou a rotina operacional, uma vez que estruturas de drenagem urbana figuram entre os principais criadouros identificados pelas equipes de campo. O ritmo de inspeções equivale a uma média de mais de 33 mil vistorias por mês — índice que exige logística intensa e coordenação entre diferentes secretarias.

A presença do Aedes em múltiplos pontos da cidade, confirmada pelas ovitrampas, evidencia que o problema não se concentra em bairros específicos. A dispersão geográfica do mosquito é justamente o argumento que os gestores de saúde usam para defender a manutenção do comitê como instância permanente, e não apenas emergencial.

Vacinação avança, mas segunda dose ainda preocupa

Um dos destaques da reunião foi o balanço da campanha de vacinação contra a dengue voltada a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. A cobertura da primeira dose já ultrapassou a meta estabelecida pelo Ministério da Saúde, com 10.293 aplicações — resultado acima do patamar de 90% exigido para imunidade coletiva efetiva. O cenário para a segunda dose, porém, ainda requer atenção: até o levantamento apresentado no comitê, apenas 6.599 doses tinham sido administradas, correspondendo a 68,74% de cobertura.

A diferença entre as coberturas das duas doses é um padrão recorrente em campanhas de vacinação de múltiplas etapas e tende a se aprofundar com o afastamento do período de maior mobilização da população. Técnicos de saúde alertam que a proteção completa depende das duas aplicações, tornando o avanço da segunda dose uma prioridade para os próximos meses.

O que cada morador pode fazer agora

Mesmo com o aparato institucional em campo, a SMS reforçou durante a reunião que a participação da população é insubstituível no controle do Aedes. A orientação é eliminar qualquer recipiente capaz de acumular água parada — vasos de plantas, ralos, calhas, pneus e caixas-d'água sem tampa figuram entre os pontos mais críticos dentro das residências. Quintais com entulho ou vegetação densa também favorecem a reprodução do mosquito e devem ser mantidos limpos.

O Aedes aegypti é o vetor da dengue, da chikungunya e do zika, três doenças que sobrecarregam o sistema de saúde e afetam a qualidade de vida de milhares de famílias sul-mato-grossenses a cada ano. Em Três Lagoas, a estrutura do comitê multisetorial busca justamente antecipar picos de transmissão antes que se transformem em surtos — mas a linha de defesa mais eficaz continua sendo a eliminação dos focos dentro de cada domicílio.

Fontes: PREFEITURA DE TRÊS LAGOAS, SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE