USDA corta 90 mil fardos da safra americana e algodão fecha misto em NY

Relatório do departamento agrícola dos EUA reduziu estimativa de produção e derrubou produtividade por acre, enquanto mercado brasileiro resiste com vendedores firmes.

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O algodão encerrou a sessão desta quarta-feira, 12 de agosto, com comportamento dividido na Bolsa de Nova York, depois que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou seu relatório mensal de produção agrícola e surpreendeu o mercado com um corte de 90 mil fardos na estimativa para a safra norte-americana, que agora projeta 13,61 milhões de fardos. Ao mesmo tempo, os produtores ampliaram a área plantada em 0,62 milhão de acres, totalizando 10,47 milhões de acres — mas a produtividade por acre caiu 74 libras, chegando a apenas 798 libras por acre, o que explica o recuo nas estimativas totais mesmo com mais terra cultivada.

O cenário internacional gerou reações distintas nos vencimentos futuros. Os contratos de curto prazo recuaram, enquanto os mais distantes seguraram ou até avançaram levemente — sinal de que o mercado ainda calibra o impacto real do relatório do USDA sobre a oferta global nos próximos meses.

Como os contratos se comportaram em Nova York

O vencimento dezembro/26 foi o de maior liquidez e registrou queda de 0,15 cent (-0,18%), encerrando a 84,24 cents por libra. O outubro/26 recuou com mais intensidade: 0,38 cent (-0,46%), fechando a 82,71 cents/lb. Já os contratos mais longos sustentaram o pregão: o março/27 ficou estável em 86,24 cents/lb, e o maio/27 avançou 0,08 cent (+0,09%), para 87,45 cents/lb. A leitura predominante entre analistas é de que a redução na produtividade americana, mesmo com área maior, cria um piso de sustentação para preços nos vencimentos mais longos.

Nos estoques, a projeção para a safra antiga permaneceu inalterada em 4,2 milhões de fardos. Para a nova safra, houve corte de 100 mil fardos, com estimativa agora em 4 milhões de fardos — nível que reforça uma oferta americana mais restrita do que o esperado há 30 dias.

Mercado brasileiro sustenta alta, mas com liquidez travada

No Brasil, as cotações do algodão em pluma seguem em trajetória de alta neste início de agosto, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A combinação entre vendedores que resistem a fechar negócios abaixo das expectativas e a valorização dos preços internacionais criou um ambiente de firmeza — mas também de liquidez reduzida, já que compradores e vendedores ainda não encontraram um ponto de equilíbrio nas negociações.

O Cepea aponta que compradores com necessidade imediata de matéria-prima têm aceitado pagar mais, especialmente por lotes de qualidade superior. Por outro lado, boa parte da indústria permanece cautelosa diante do desempenho fraco das vendas de manufaturados têxteis e da dificuldade de repassar o custo mais elevado da fibra para o consumidor final. A oferta interna mais restrita, com agentes priorizando o cumprimento de contratos a termo, contribui para esse travamento no mercado spot.

Mato Grosso do Sul no contexto do algodão nacional

Mato Grosso do Sul integra o cinturão algodoneiro do Centro-Oeste brasileiro e tem acompanhado de perto o avanço da colheita favorecida pelo tempo seco das últimas semanas. A dinâmica é relevante para o produtor sul-mato-grossense: preços firmes no mercado interno e corte nas estimativas americanas tendem a sustentar as cotações locais, ao menos no curto prazo — o que representa uma janela de realização para quem ainda não fechou contratos de venda da safra atual.

O ponto de atenção segue sendo a liquidez restrita: enquanto a indústria têxtil não recuperar o ritmo de compras, o volume de negócios deve permanecer abaixo do potencial, mesmo com preços atrativos. O avanço do beneficiamento e a chegada de novos lotes ao mercado nas próximas semanas serão determinantes para saber se compradores e vendedores finalmente convergem para fechar negócios em maior escala.

Fontes: USDA, CEPEA