Dourados sobe 18 posições em ranking salarial de professores após reajuste retroativo

Município aplicou o piso nacional do magistério com pagamento retroativo a janeiro em 2025 e 2026, feito considerado inédito na história da cidade.

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A Prefeitura de Dourados aplicou o reajuste do piso nacional do magistério com pagamento retroativo ao mês de janeiro tanto em 2025 quanto em 2026, cumprindo integralmente a legislação federal que institui o piso salarial da categoria — medida que, segundo a administração municipal, não havia sido adotada dessa forma em nenhuma gestão anterior desde a criação da lei. O feito impulsionou Dourados de 60ª para a 42ª posição no ranking salarial da Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems) em apenas um ano e oito meses.

O salto de 18 posições no levantamento estadual, que compara os vencimentos pagos pelos municípios sul-mato-grossenses aos seus professores, coloca Dourados entre os municípios que mais avançaram na valorização do magistério público no período recente. A melhora no indicador veio acompanhada de crescimento no Ideb de 2026, dado que a gestão associa diretamente à estabilização financeira e ao reconhecimento profissional dos educadores da rede.

Retroatividade que virou referência no estado

Cumprir o piso nacional do magistério é obrigação legal, mas pagar o reajuste com efeito retroativo a janeiro — dentro do próprio ano — é o que diferencia Dourados de boa parte dos municípios sul-mato-grossenses. Em muitos casos, o reajuste é aplicado meses depois ou parcelado ao longo do ano, reduzindo o impacto real no bolso do professor. A atual gestão, comandada pelo prefeito Marçal Filho, manteve ainda o pagamento dos salários rigorosamente dentro do mês trabalhado, encerrando atrasos que, historicamente, pesavam sobre a categoria.

Essas medidas foram construídas a partir de um canal direto entre a prefeitura e os representantes dos professores. O diálogo com o sindicato da categoria permitiu identificar prioridades e avançar em demandas acumuladas ao longo de gestões anteriores sem comprometer o equilíbrio fiscal do município — algo que, no contexto de cidades médias como Dourados, exige planejamento orçamentário rigoroso, já que a folha de pagamento da educação representa uma das maiores despesas do erário municipal.

O que mudou para os professores da rede municipal

Para os docentes da Rede Municipal de Ensino de Dourados, a mudança mais concreta é a previsibilidade: salário no prazo e reajuste sem espera. Esses dois fatores, aparentemente básicos, afetam diretamente a qualidade de vida dos profissionais e, consequentemente, o ambiente dentro das salas de aula. Professores com maior segurança financeira tendem a reduzir o absenteísmo e o acúmulo de vínculos empregatícios, o que favorece o desempenho dos alunos — relação que pesquisadores da área de gestão educacional apontam com frequência em estudos sobre o rendimento escolar em municípios brasileiros.

O reflexo nos indicadores de aprendizagem já começa a aparecer nos dados do Ideb 2026, ainda que seja cedo para atribuir causalidade exclusiva à política salarial. O conjunto de fatores — gestão, infraestrutura, formação continuada e valorização docente — compõe o cenário que determina o desempenho de uma rede pública de ensino.

Dourados e o desafio de manter o ritmo em MS

Com quase 230 mil habitantes, Dourados é o segundo maior município de Mato Grosso do Sul e referência regional para saúde, comércio e educação em toda a região da fronteira. A melhora no ranking da Fetems coloca a cidade em posição mais competitiva para atrair e reter professores qualificados, fator crítico em um momento em que a escassez de docentes em áreas como Matemática, Física e Línguas estrangeiras é sentida em todo o país.

O desafio agora é manter a trajetória ascendente. Subir da 60ª para a 42ª posição em menos de dois anos é expressivo, mas ainda deixa Dourados abaixo de municípios menores que conseguem pagar salários mais altos graças a uma base tributária proporcionalmente mais robusta ou a repasses estaduais diferenciados. A continuidade do diálogo com a Fetems e a disciplina orçamentária serão determinantes para que o município avance ainda mais no ranking e consolide a valorização dos professores como política de Estado — e não apenas de gestão.

Fontes: PREFEITURA DE DOURADOS