MS tem 45 mil empresas de turismo e 94% são pequenos negócios

Fundtur-MS e Sebrae reúnem representantes das nove regiões turísticas do Estado em Campo Grande para planejar roteiros integrados e ampliar competitividade dos destinos.

Por

Divulgação

Mato Grosso do Sul abriga mais de 45 mil empresas com atividade principal ligada ao turismo — e 94% delas são pequenos negócios. É esse setor que está no centro das discussões do Encontro das Governanças de Turismo de MS, promovido pela Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur-MS) com apoio do Sebrae/MS nesta segunda e terça-feira (10 e 11 de agosto) no auditório do Living Lab, em Campo Grande. Cerca de 60 participantes representando as nove regiões turísticas do Estado debatem estratégias para integrar destinos, criar novos roteiros e qualificar a gestão pública e privada do turismo sul-mato-grossense.

O encontro reúne gestores municipais, conselheiros dos Conselhos Municipais de Turismo (Comturs) e integrantes das chamadas Instâncias de Governança Regional (IGRs) — estruturas que articulam poder público, empresas e sociedade civil para planejar o turismo de forma coletiva. O Estado conta hoje com nove IGRs: Bonito-Serra da Bodoquena, Celeiro do MS, Caminhos da Fronteira, Caminhos da Natureza/Conisul, Campo Grande dos Ipês, Costa Leste, Pantanal, Rota Cerrado Pantanal e Vale das Águas. O cenário acende uma luz para a dimensão econômica do setor: com Cerrado e Pantanal como vitrine natural, MS acumula um dos maiores ecossistemas de turismo regional do Centro-Oeste.

Regionalização como antídoto à descontinuidade política

O tema central do evento vai além da organização de feiras ou calendários turísticos. Para o diretor-presidente da Fundtur-MS, Bruno Wendling, a regionalização é, antes de tudo, uma ferramenta de proteção contra a instabilidade dos ciclos eleitorais. "A regionalização é um caminho importante para garantir a continuidade das políticas públicas de turismo. O ciclo da gestão pública é temporário, enquanto o tempo necessário para a maturação de um destino é muito maior. Por isso, é fundamental fortalecer espaços coletivos, com liderança do setor privado e suporte do poder público", afirmou Wendling.

A lógica é simples: quando a governança está ancorada em estruturas regionais com participação da iniciativa privada e da sociedade civil, uma troca de prefeito ou secretário não desfaz anos de planejamento. É exatamente o que o modelo das IGRs pretende garantir em cada um dos territórios turísticos do Estado.

O turista não respeita divisas municipais — e o turismo precisa acompanhar

A turismóloga Elisiane Silveira, presidente da Associação Brasileira de Turismólogos e Profissionais do Turismo de Santa Catarina (ABBTUR-SC) e consultora convidada pelo Sebrae/MS, trouxe no primeiro dia um argumento que resume o desafio da integração. "Para o turista, não existem barreiras entre municípios ou estados. Ele busca experiências únicas, gastronomia, cultura e aquilo que há de diferente em cada território. Por isso, integrar os destinos permite criar roteiros mais completos e oferecer experiências que valorizem as características de cada região", explicou Silveira.

Na prática, isso significa que um visitante que vai a Bonito dificilmente deixa de passar por Bodoquena ou Miranda. Roteiros que ignoram esse comportamento perdem receita. A integração entre municípios vizinhos — cada um com atrativos distintos — transforma o que seria uma visita pontual em uma jornada mais longa, com mais pernoites, mais consumo e mais geração de renda local.

O encontro também marcou o lançamento da 7ª Fase do Programa de Classificação Turística dos Municípios de Mato Grosso do Sul e do Manual de Governança Turística. Entre os participantes, Ana Luzia Abrão, gestora da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Ernesto Vargas Baptista, em Eldorado (MS), destacou a ênfase dada à sustentabilidade nos novos critérios de classificação. "Em um Estado com biomas tão diversos como Mato Grosso do Sul, considero esse aspecto fundamental. O grande desafio é transformar o potencial turístico em produto e realidade, e a regionalização pode contribuir para isso", afirmou.

Sebrae como estrutura de base para os pequenos negócios do turismo

Com 94% das empresas do setor classificadas como pequenos negócios, o papel do Sebrae/MS ultrapassa o de apoiador institucional. A entidade foi parceira na criação e consolidação da maioria das IGRs do Estado e segue atuando na capacitação de empreendedores. "O turismo é uma atividade que depende diretamente da força dos territórios e da capacidade dos pequenos negócios de transformar os atrativos locais em produtos e experiências. Fortalecer essas estruturas significa dar mais capacidade aos territórios para planejar, integrar negócios e gerar desenvolvimento a partir do turismo", avaliou a diretora-técnica do Sebrae/MS, Sandra Amarilha.

O encontro contou ainda com a participação de estudantes de Turismo da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), que acompanharam os painéis sobre governança como parte da formação acadêmica. A programação desta terça-feira abrange design de destinos, promoção turística, inovação, diversificação da oferta e captação de recursos, além de uma oficina técnica das IGRs com encaminhamentos para as próximas ações do setor no Estado. Mais informações pelo telefone 0800 570 0800 ou pelo site ms.sebrae.com.br.

Fontes: FUNDTUR-MS, SEBRAE/MS