Tatu-canastra gigante do Cerrado vira aula para 80 crianças em Três Lagoas
Escola municipal recebe pesquisadores do ICAS nos dias 12 e 13 de agosto para apresentar o maior tatu do mundo a alunos do 2º ano do Ensino Fundamental.
Divulgação
Oitenta crianças de Três Lagoas vão conhecer de perto — e de forma bem animada — o animal terrestre com mais placas ósseas do planeta: o tatu-canastra (Priodontes maximus), espécie ameaçada de extinção e símbolo do Cerrado. Nos dias 12 e 13 de agosto de 2026, a Escola Municipal Marlene Noronha Gonçalves transforma suas salas em laboratório de conservação, com pesquisadores do Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS) conduzindo atividades para três turmas do 2º ano do Ensino Fundamental — crianças entre 7 e 8 anos.
A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agronegócio (SEMEA), a Secretaria Municipal de Educação (SEMED) e o ICAS, que já monitora tatus-canastra no Parque Natural Municipal do Pombo há mais de três anos. O encontro foi organizado para coincidir com o Dia do Tatu-Canastra, celebrado em 13 de agosto, e marca uma aposta da gestão municipal em traduzir dados científicos reais em aprendizado para a infância.
Dois dias, dois formatos — e um mascote no meioA programação foi pensada em etapas. Na quarta-feira (12/08), das 8h às 10h30, os alunos passam pela atividade Conhecendo o Tatu-Canastra, que apresenta a biologia da espécie: por que ela é considerada o maior tatu do mundo, como se alimenta, como se comporta e qual o papel que exerce no ecossistema do Cerrado — em especial na abertura de tocas que servem de abrigo para dezenas de outras espécies. Na quinta-feira (13/08), no próprio dia em que a data é celebrada, as três turmas se reúnem para uma oficina com dinâmicas educativas e a aparição do mascote oficial do animal, elemento pensado para criar identificação emocional nas crianças com a causa da conservação.
O formato não é por acaso. Estudos em educação ambiental indicam que o contato lúdico com a fauna silvestre em idade escolar tende a gerar vínculos duradouros com práticas de preservação. Ao trazer pesquisadores de campo para dentro da escola, Três Lagoas encurta a distância entre a ciência praticada no parque municipal e o cotidiano das crianças da rede pública.
Pesquisa de campo a três anos sustenta a ação educativaO ICAS não chegou à escola sem lastro. A instituição mantém desde 2023 um projeto contínuo de pesquisa e conservação do tatu-canastra dentro do Parque Natural Municipal do Pombo, em Três Lagoas. O trabalho envolve monitoramento por radiotelemetria, mapeamento de tocas e levantamento de ameaças como atropelamentos e queimadas — informações que agora chegam filtradas para a linguagem do 2º ano do Ensino Fundamental. Essa base científica é o que diferencia a ação de uma visita temática comum: os dados que os pesquisadores vão apresentar vêm de campo real, do mesmo bioma onde as crianças vivem.
"Cuidar do tatu-canastra é preservar o equilíbrio do nosso meio ambiente. Quando ensinamos às crianças a importância dessa e de outras espécies, estamos garantindo o futuro da nossa biodiversidade e fortalecendo o respeito à natureza", afirmou Maysa Queiroz da Costa, diretora de Meio Ambiente da SEMEA.
Por que o Cerrado de MS depende desse animalO tatu-canastra é classificado como vulnerável na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e consta no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. No Mato Grosso do Sul, o Cerrado ainda cobre parcelas expressivas do centro-norte e leste do estado — exatamente a região onde Três Lagoas está inserida —, tornando o município estratégico para a conservação da espécie.
Além de ser o maior representante da ordem Cingulata, com até 1,5 metro de comprimento e 60 quilos, o tatu-canastra é engenheiro do ecossistema: suas tocas profundas, que podem passar de 5 metros, regulam a temperatura do solo e criam microhabitats para raposas, gambás, cobras e uma série de invertebrados. Perder a espécie significa, na prática, desmontar parte da estrutura física do Cerrado. É esse encadeamento que os pesquisadores do ICAS pretendem explicar — com palavras de 7 anos — nas salas da Marlene Noronha Gonçalves.
A ação em Três Lagoas acontece num momento em que o bioma Cerrado enfrenta recordes de desmatamento e pressão por expansão agrícola. Inserir a pauta dentro da grade escolar regular, com suporte técnico de quem faz ciência no território, pode ser uma das apostas mais concretas para garantir que a próxima geração entenda o que está em jogo antes que seja tarde.
Fontes: PREFEITURA DE TRÊS LAGOAS, SEMEA