João Gurgel antecipou a era dos elétricos no Brasil décadas antes da Tesla

Engenheiro brasileiro apresentou projeto de veículo elétrico nos anos 1970 e se tornou um dos pioneiros da mobilidade elétrica na América Latina

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Muito antes de os carros elétricos ganharem espaço no mercado global e transformarem nomes como Elon Musk em referências do setor automotivo, um engenheiro brasileiro já apostava na eletrificação como alternativa para a mobilidade. João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, fundador da Gurgel Motores, desenvolveu e apresentou o projeto Itaipu, considerado um dos marcos pioneiros dos veículos elétricos na América Latina. 

Em 1974, Elon Musk tinha apenas três anos de idade, João Gurgel ja estava apresentando o Itaipu. Naquele ano o engenheiro brasileiro revelou no Salão do Automóvel o protótipo Itaipu E150, um veículo movido exclusivamente a eletricidade, em um período marcado pela crise mundial do petróleo e pela busca de alternativas aos combustíveis fósseis. 

O Itaipu E150 é frequentemente citado por especialistas e publicações automotivas como o primeiro carro elétrico desenvolvido na América Latina. Compacto, silencioso e movido por baterias de chumbo-ácido, o modelo representava uma visão futurista para a época, quando praticamente toda a indústria automobilística mundial estava concentrada em motores a combustão. 

O projeto enfrentou desafios tecnológicos semelhantes aos que ainda são discutidos atualmente, como autonomia limitada, peso elevado das baterias e longo tempo de recarga. Essas dificuldades impediram que o modelo alcançasse produção em larga escala nos anos 1970. 

Apesar disso, João Gurgel não abandonou a ideia. A experiência adquirida com os protótipos resultou no desenvolvimento do Itaipu E-400, um utilitário elétrico lançado em 1981 e considerado o primeiro veículo elétrico produzido em série no Brasil. Voltado principalmente para empresas e órgãos públicos, o modelo era utilizado em serviços urbanos e de manutenção.

Com autonomia entre 80 e 100 quilômetros e capacidade para transportar cargas leves, o Itaipu E-400 foi adquirido por empresas de energia, telecomunicações e grandes corporações. Entretanto, os altos custos das baterias e as limitações tecnológicas da época dificultaram a continuidade do projeto.

Hoje, em um cenário no qual montadoras globais investem bilhões de dólares em eletrificação, a trajetória de João Gurgel volta a ganhar reconhecimento. Especialistas apontam que o engenheiro brasileiro estava décadas à frente de seu tempo ao vislumbrar um futuro baseado em fontes de energia alternativas e na redução da dependência dos combustíveis fósseis. 

Mais do que um pioneiro da indústria nacional, Gurgel deixou um legado de inovação, criatividade e independência tecnológica. Sua história demonstra que o Brasil já participou dos primeiros capítulos da mobilidade elétrica mundial, muito antes da popularização dos veículos elétricos modernos.