Do campo ao copo: cerveja impulsiona agronegócio, gera empregos e fortalece economias locais

A produção da bebida movimenta desde lavouras de cevada e lúpulo até bares, restaurantes e pequenas cervejarias

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Celebrado na primeira sexta-feira de agosto, o Dia Internacional da Cerveja vai além da tradição de reunir amigos para brindar. No Brasil, a bebida representa uma importante cadeia produtiva que conecta o agronegócio, a indústria e o setor de serviços, movimentando bilhões de reais e gerando milhares de empregos em diferentes áreas da economia. 

Segundo o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), a relação entre o campo e a produção cervejeira é tão forte que o setor utiliza o lema "do grão ao gole, do campo ao copo" para explicar a importância da atividade para a agropecuária nacional. 

A principal matéria-prima da cerveja é a cevada, utilizada na produção do malte. Além dela, ingredientes como lúpulo, milho, arroz, trigo, açúcar e frutas também fazem parte da composição de diferentes estilos da bebida. Todos têm origem agrícola e dependem diretamente da produção rural. 

De acordo com dados da Embrapa, cerca de 90% da cevada cultivada no Brasil é destinada à malteação, etapa fundamental para a fabricação da cerveja. O restante é utilizado principalmente para sementes e outras finalidades industriais. 

Brasil está entre os maiores produtores do mundo

A dimensão da cadeia cervejeira pode ser medida pelo volume produzido no país. Em 2025, o Brasil produziu mais de 15 bilhões de litros de cerveja, consolidando-se como o terceiro maior produtor mundial da bebida. 

O setor segue em expansão. Dados do Anuário da Cerveja 2026, elaborado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), apontam que o país registrou 1.954 cervejarias em 2025, o maior número da série histórica. Somente o Estado de São Paulo concentra 452 estabelecimentos do segmento. 

Além disso, o Brasil conta atualmente com mais de 56 mil marcas de cerveja registradas, demonstrando a diversificação do mercado e o crescimento contínuo das cervejarias artesanais e independentes. 

Impacto na geração de empregos

A importância econômica do setor vai muito além da produção da bebida. Segundo o Sindicerv, cada emprego criado diretamente pela indústria cervejeira gera outros 34 postos de trabalho ao longo da cadeia produtiva, envolvendo agricultores, transportadores, fabricantes de embalagens, distribuidores, comerciantes, garçons e bartenders. 

Os números do Ministério da Agricultura reforçam esse peso econômico. Em 2025, o segmento de bebidas ultrapassou a marca de 143 mil empregos diretos, registrando crescimento de 1,27% em comparação ao ano anterior. 

Outro aspecto destacado pelo setor é a capacidade de estimular o desenvolvimento regional. Estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), mencionado pela reportagem, indica que cerca de 90% da riqueza gerada por uma cervejaria permanece no município ou na região onde ela está instalada, fortalecendo a economia local e incentivando novos investimentos.

Exportações e inovação impulsionam crescimento

A cerveja brasileira também vem ampliando sua presença no mercado internacional. Em 2025, a produção nacional foi exportada para 77 destinos diferentes, tendo o Paraguai como principal comprador, seguido por Bolívia e Uruguai. 

Para especialistas do setor, parte desse crescimento está ligada à inovação. Atualmente, mais de 80% das cervejarias brasileiras são micro e pequenas empresas, muitas delas focadas em produção artesanal e no desenvolvimento de novos rótulos e estilos. 

O avanço das cervejas sem álcool também acompanha mudanças nos hábitos de consumo e amplia as oportunidades de negócios para o setor. Nos últimos anos, o segmento deixou de ser nichado para ganhar espaço permanente em supermercados, bares e restaurantes. 

Dessa forma, a cerveja reforça sua importância não apenas como produto de consumo, mas como um dos elos que unem agricultura, indústria, comércio e serviços, transformando a produção rural em um dos pilares de uma cadeia econômica presente em praticamente todo o país.