“Jurema e a Criação do Mundo” inicia circulação gratuita por cidades e comunidades
Espetáculo une teatro, circo, música e narrativas ancestrais em apresentações gratuitas para públicos de todas as idades
O espetáculo “Jurema e a Criação do Mundo” inicia neste mês uma circulação gratuita por cidades, escolas, praças, assentamentos e comunidades de Mato Grosso do Sul. A temporada começa em Bonito e passará ainda por Jardim, Campo Grande, Distrito Águas do Miranda, Assentamento Guaicurus e Comunidade Tomázia, em Porto Murtinho.
A montagem acompanha a trajetória da Palhaça Jurema, personagem que busca respostas para uma das perguntas mais antigas da humanidade: como o mundo foi criado? Durante a jornada, o público é apresentado a diferentes formas de compreender a origem da vida e do universo, por meio da cosmovisão Guarani Mbya, das narrativas do povo Desana e da teoria científica do Big Bang.
Misturando teatro, linguagem circense, música e contação de histórias, o espetáculo foi pensado para envolver crianças, jovens e adultos em uma experiência marcada pelo encantamento e pela reflexão sobre a diversidade de saberes.
Segundo a idealizadora e produtora do projeto, Sorrayla Acosta Parra, a proposta surgiu a partir do interesse em aproximar o público de diferentes narrativas sobre a criação do mundo.
“Jurema nasce desse encontro com os povos originários, com suas histórias e formas de perceber a vida. O espetáculo convida o público a compreender que não existe apenas uma maneira de olhar para a origem do mundo. Existem muitas narrativas, muitos saberes e muitas formas de nascer”, afirma.
Arte, ciência e ancestralidade
A dramaturgia foi construída a partir de referências como o livro “Tupã Tenondé: a criação do universo, da terra e do homem segundo a tradição oral Guarani”, de Kaká Werá, e a obra “Antes o mundo não existia: mitologia dos antigos Desana-Kêhíripõrã”, de Firmino e Luiz Lana, além de conteúdos relacionados à teoria do Big Bang.
As diferentes perspectivas foram adaptadas para uma narrativa acessível e lúdica, que aproxima arte, ciência e tradições ancestrais. Um dos momentos marcantes da apresentação é a inclusão do canto Guarani-Kaiowá “Mamo Oimē Nde Rory”, que significa “Onde está sua alegria?”. A canção foi incorporada ao espetáculo após aproximação da idealizadora com a comunidade Kaiowá de I’tay, na região de Dourados.
De acordo com a equipe, todo o trabalho foi desenvolvido com respeito às culturas que inspiraram a montagem, valorizando o diálogo e a escuta das comunidades tradicionais.
Cultura perto das pessoas
A circulação foi planejada para alcançar públicos de diferentes regiões e ampliar o acesso à produção cultural. Por isso, além de teatros e centros culturais, as apresentações ocorrerão em escolas, praças, assentamentos e comunidades rurais.
A estreia acontece nesta quinta-feira (7), na Escola Municipal João Alves de Arruda, em Bonito. Já na sexta-feira (8), a Palhaça Jurema se apresenta na Praça da Liberdade, em uma sessão aberta ao público. Parte da programação contará com intérprete de Libras, ampliando a acessibilidade das atividades.
Para Sorrayla, levar a arte a espaços comunitários fortalece os vínculos entre cultura e território.
“Queremos encontrar as pessoas onde elas estão. Levar o teatro para uma escola, uma praça, um assentamento ou uma comunidade indígena é também reconhecer que a arte deve circular, criar encontros e chegar a diferentes públicos”, destaca.
Viabilizado por recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por meio de editais do Município de Bonito e do Governo de Mato Grosso do Sul, o projeto levará todas as apresentações gratuitamente ao público.
Programação
Bonito
7 de agosto, às 9h30, Escola Municipal João Alves de Arruda 8 de agosto, às 17h, Praça da Liberdade (com intérprete de Libras) 14 de agosto, às 9h30, Escola Municipal Professor Francisco Anísio Corrêa Ferreira, Distrito Águas do Miranda 15 de agosto, às 17h, Praça da Marambaia (com intérprete de Libras)
20 de agosto, às 9h30, Escola Municipal Rural Ozório Jacques, Assentamento Guaicurus
Jardim
22 de agosto, às 17h, Centro de Convenções Oswaldo Fernandes Monteiro
Campo Grande
23 de agosto, às 17h, Teatro do Mundo (com intérprete de Libras)
Porto Murtinho
4 de setembro, às 13h30, Escola Estadual Indígena Antônio Alves de Barros, Extensão Aldeia Tomázia (com intérprete de Libras)
Todas as apresentações têm entrada gratuita.