Rua estreita de Três Lagoas vira via compartilhada com piso intertravado
Obra da SEINTRA no Jardim Itamaraty usa paver em vez de asfalto por causa das interferências urbanas, ampliando segurança para pedestres e ciclistas.
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Uma rua com largura reduzida e repleta de postes, equipamentos urbanos e calçadas em diferentes níveis virou o cenário de uma solução técnica diferente do habitual em Três Lagoas: a Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura, Transporte e Trânsito (SEINTRA), está pavimentando a Rua Santa Branca, no Jardim Itamaraty, com piso intertravado — o chamado paver — seguindo o conceito de rua compartilhada, que integra no mesmo espaço motoristas, ciclistas e pedestres sem segregar as faixas de circulação.
A decisão pelo paver não foi arbitrária. Durante a elaboração do projeto, técnicos da SEINTRA identificaram que as condições físicas do logradouro inviabilizavam o modelo tradicional de pavimentação asfáltica com pista de rolamento central e passeios laterais separados. A quantidade de interferências existentes — postes da rede elétrica, equipamentos urbanos e desníveis entre calçadas — tornaria qualquer remanejamento de infraestrutura caro, demorado e invasivo para os moradores.
Por que o paver foi a escolha técnica mais adequadaO pavimento intertravado apresenta características que o tornam mais versátil em vias com restrições geométricas. Diferentemente do asfalto, ele pode ser implantado em espaços irregulares sem exigir cortes profundos ou nivelamentos extensos, o que reduz o impacto sobre as redes subterrâneas e superficiais já instaladas. Além disso, as peças modulares permitem ajustes pontuais em casos de necessidade de acesso a redes de água, esgoto ou energia — uma vantagem prática para a manutenção futura da via.
O conceito de rua compartilhada adotado no projeto tem como efeito colateral desejável a redução natural da velocidade dos veículos. Sem uma pista de rolamento demarcada e com o piso uniforme cobrindo toda a seção da via, os motoristas tendem a trafegar com mais cautela, o que aumenta a segurança de pedestres e pessoas com mobilidade reduzida sem necessidade de instalar redutores de velocidade adicionais.
Bairros vizinhos também recebem pavimentação e drenagemA obra na Rua Santa Branca não é pontual. Ela integra um pacote maior de intervenções de infraestrutura urbana que abrange, além do Jardim Itamaraty, os bairros Jardim Nossa Senhora de Fátima e Jardim Eunice. O escopo inclui serviços de pavimentação e drenagem, dois elementos que caminham juntos para evitar alagamentos e deterioração precoce do pavimento — problemas comuns em vias que recebem apenas um dos dois serviços.
A combinação de pavimentação com solução de drenagem adequada é considerada pela engenharia urbana como o mínimo necessário para garantir a durabilidade da obra e a qualidade do tráfego ao longo dos anos, especialmente em regiões com períodos de chuvas concentradas como ocorre em Mato Grosso do Sul.
O modelo de rua compartilhada avança em Três LagoasA adoção do conceito de rua compartilhada na Rua Santa Branca não é a primeira experiência do município com o modelo. A SEINTRA já havia aplicado soluções semelhantes em outros trechos da cidade, acumulando repertório técnico para adaptar o projeto às particularidades de cada via. O crescimento do uso desse conceito em Três Lagoas acompanha uma tendência de cidades brasileiras que buscam otimizar o espaço urbano sem expandir o leito carroçável — uma alternativa viável especialmente em bairros consolidados onde o alargamento de ruas seria inviável.
Para os moradores dos três bairros contemplados, o conjunto de obras representa uma melhora concreta na mobilidade cotidiana: ruas pavimentadas reduzem a geração de poeira, facilitam o escoamento da água da chuva e tornam o deslocamento a pé ou de bicicleta mais seguro e acessível — impactos que se refletem diretamente na qualidade de vida de quem vive e circula pela região.
Fontes: PREFEITURA DE TRÊS LAGOAS