Caminhoneiros de Foz do Iguaçu protestam contra novas regras da Ponte da Integração
Expansão dos horários de circulação de caminhões pela Ponte da Integração, em vigor desde esta segunda, provoca manifestação no lado brasileiro e tensão em Presidente Franco.
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Caminhoneiros de Foz do Iguaçu (PR) foram às ruas nesta segunda-feira, 4 de agosto, para protestar contra as condições impostas pela nova fase de habilitação da Ponte da Integração, que liga o Brasil ao Paraguai e que passou a operar com horários ampliados para veículos de grande porte e novas categorias de transporte. A mobilização, concentrada no acesso à passarela internacional a partir das 7h, reuniu representantes de três entidades sindicais do setor e evidencia o mal-estar que a medida gerou dos dois lados da fronteira.
A expansão estava sendo aguardada há meses pela região, mas chegou acompanhada de reclamações que vão desde a falta de infraestrutura básica nos pontos de espera até exigências burocráticas consideradas desproporcionais. O episódio acende um alerta para quem acompanha o movimento da tríplice fronteira: mudanças logísticas de grande escala precisam de planejamento urbano equivalente — algo que, segundo moradores e autoridades locais, ainda não aconteceu.
O que muda com a nova fase e por que gerou protestoAté agora, a Ponte da Integração só permitia a passagem de caminhões de grande porte vazios em um janela noturna restrita, entre 22h e 5h. Com as novas regras, esse intervalo foi antecipado para as 20h30, e a estimativa é de que cerca de 200 caminhões por noite cruzem a estrutura nesse período. A partir de agora, também ficou autorizada a circulação de caminhões de médio porte no regime de despacho menor — mas apenas vazios, no horário das 7h às 19h. O retorno carregado continua obrigatoriamente pela Ponte da Amizade.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTTL), a Federação dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Paraná (Fetropar) e o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Foz do Iguaçu (Sitro-FI) encabeçaram a manifestação. Os caminhoneiros denunciam que, ao aguardar vez para cruzar pelo lado paraguayo de Presidente Franco, ficam expostos a condições precárias: sem acesso a água potável e sem sanitários adequados nas áreas de espera. "As horas de espera em condições insalubres já eram um problema antes — com mais caminhões circulando, a situação tende a piorar", resumiu a posição das entidades em nota divulgada antes do protesto.
Paraguai também tem reservas: seguro caro e burocracia diferenciadaDo lado paraguaio, o clima não é de celebração. Caminhoneiros filiados a sindicatos em Presidente Franco questionam por que as exigências para operar pela Ponte da Integração são mais rigorosas do que as aplicadas à Ponte da Amizade. Para usar a nova estrutura, é necessário apresentar um seguro internacional — cuja apólice é apontada como cara demais — além do Carnet de Tránsito Vecinal Fronterizo.
O cenário prático é revelador: dos cerca de 500 caminhoneiros que trabalham na modalidade de despacho menor em Presidente Franco, apenas 200 estão em condições de começar a operar pela Ponte da Integração imediatamente. Os demais precisarão regularizar documentação e seguros antes de acessar o corredor. O Conselho de Desenvolvimento de Presidente Franco (Codefran) alertou que a cidade não tem capacidade viária para absorver o aumento de tráfego sem obras de adequação urgentes — entre elas, a ampliação da Avenida Bernardino Caballero e a criação de um par binário na Avenida Mariscal Estigarribia.
Impacto para o comércio e o transporte da fronteira com MSPara o Mato Grosso do Sul, a Ponte da Integração representa uma rota alternativa relevante no corredor de cargas e de compras que conecta brasileiros ao Paraguai. Parte significativa dos caminhões que abastecem o comércio fronterizo da região percorre trajetos que passam por cidades sul-mato-grossenses como Ponta Porã e Mundo Novo. Qualquer gargalo logístico em Foz do Iguaçu — seja por protesto, congestionamento ou burocracia extra — tende a repercutir no tempo e no custo do frete que circula por esse eixo.
A nova fase também prevê a liberação do transporte urbano internacional de passageiros na linha Presidente Franco–Foz do Iguaçu, além de autorizar a circulação em tempo integral (24 horas) para ônibus de circuito fechado e linhas internacionais regulares. Para turistas e compradores brasileiros que usam a ponte para o circuito de compras no Paraguai, a mudança pode representar mais opções de horário — desde que a infraestrutura das duas margens dê conta da demanda.
O teste real da nova fase começa agora, com a pressão das ruas somada à pressão do trânsito. A resposta das autoridades paraguaias e brasileiras nos próximos dias vai determinar se a ampliação se consolida como avanço ou se vira mais um entrave na fronteira mais movimentada da América do Sul.
Fontes: ABC COLOR